05/10/2018 19h11
Bolsas de NY fecham em queda de olho nas tensões entre Estados Unidos e China
As bolsas de Nova York fecharam em queda nesta sexta-feira, 5, de olho no acirramento nas tensões entre Estados Unidos e China e ainda em meio a um cenário que poderia levar a uma trajetória de aperto monetário mais agressiva pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
O Ãndice Dow Jones registrou queda de 0,68%, aos 26.447,05 pontos, mas apresentou alta semanal de 0,61%, enquanto o S&P 500 recuou 0,55%, aos 2.885,57 pontos, e acumulou perda de 0,30% na semana. Já o Nasdaq cedeu 1,16%, aos 7.788,45 pontos, com recuo semanal de 2,14%.
A elevação do tom das crÃticas da Casa Branca à China pressionou os mercados acionários e prejudicou ações do setor industrial, cujo subÃndice do S&P 500 cedeu 0,49%, com as ações da Caterpillar em queda de 2,19% e as da Boeing em recuo de 0,90%. Na quinta-feira, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, atacou a potência asiática e afirmou que a China faz proveito de questões que geram controvérsia, como as tarifas sobre importações aplicadas por Washington a vários paÃses, para "avançar a sua influência polÃtica" sobre a opinião pública americana. Hoje, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que os EUA não podem aceitar práticas comerciais chinesas que sejam injustas.
As giant techs também apresentaram fortes perdas. O destaque foi para os papéis da Intel, que recuaram 2,29%, enquanto os da Apple caÃram 1,62% e os da Amazon cederam 1,04%.
Os Ãndices nova-iorquinos ainda sofrem influência da onda vendedora de Treasuries que começou nesta semana, à medida que diversos dirigentes do Fed sinalizaram que a alta de juros no paÃs pode ser ainda mais rápida do que espera o mercado. O retorno da T-note de dez anos voltou a avançar para o maior nÃvel desde 2011, a 3,236%. O tom hawkish, claro, foi capitaneado pelo presidente da instituição, Jerome Powell, que afirmou nos últimos dias que as taxas de juros no paÃs ainda estão em um nÃvel acomodatÃcio e longe de um patamar considerado neutro.
O contexto ganhou força com a divulgação do relatório de empregos do paÃs (payroll), que, apesar de ter apontado criação de novas vagas menor do que o esperado (134 mil, ante previsão de 185 mil na mediana de 33 projeções compiladas pelo Broadcast, sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado, mostrou declÃnio na taxa de desemprego, que recuou de 3,9% em agosto para 3,7% em setembro, no menor nÃvel desde 1969, de acordo com o Departamento do Trabalho americano.
Investidores acompanharam ainda a divulgação do déficit comercial dos EUA, que cresceu de US$ 50,04 bilhões em julho (dado revisado) para US$ 53,24 bilhões em agosto, de acordo com o Departamento do Comércio, alta pouco menor do que a projeção de analistas, de US$ 53,4.
Fonte: Estadão Conteúdo