04/07/2018 15h00
Bolsas europeias fecham sem direção única com tensão comercial e baixa liquidez
As principais bolsas da Europa fecharam sem direção única nesta quarta-feira, 4, à medida que o alÃvio com a resolução polÃtica na Alemanha deu lugar a preocupações com a possibilidade de as atuais tensões comerciais, até aqui quase sempre baseadas em ameaças, assumirem feições reais com a previsão de que os Estados Unidos coloquem em vigor tarifas sobre US$ 34 bilhões em produtos importados da China, e a contraparte, por sua vez, retaliar em igual medida. Além disso, as praças no Velho Continente operaram desprovidas do referencial e da liquidez dos mercados financeiros americanos, fechados devido ao feriado do Dia da Independência.
De Pequim sopraram ventos contraditórios para a cautela com o comércio. Hoje, o Conselho de Estado da China disse que o paÃs não vai impor tarifas a Washington sem que sejam confirmadas as barreiras sobre produtos chineses.
Ontem, porém, um tribunal chinês proibiu temporariamente a venda de chips da Micron Technology, bloqueando as operações da empresa de semicondutores americana na China. A movimentação do Judiciário foi vista por investidores como uma espécie de mensagem do Estado chinês sobre as ferramentas que pode usar na disputa comercial com os EUA.
Mesmo nesse contexto nebuloso, o Ãndice pan-europeu Stoxx 600 teve alta de 0,06%, aos 380,05 pontos. As incertezas pesaram sobre os subÃndices de tecnologia e de commodities, que perderam 1,35% e 1,09%, respectivamente.
Vale destacar que a IHS Markit revelou o Ãndice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, em junho - houve alta de 54,1 em maio para 54,9 no mês passado, levemente acima das estimativas prévia e de analistas consultados pelo Wall Street Journal, de 54,8. Apesar do avanço, a média no segundo trimestre (54,7) foi a mais baixa desde o último trimestre de 2016.
Um dos compostos acionários mais penalizados por reflexos negativos no setor tech é o DAX 30, em Frankfurt, que cedeu 0,26%, para os 12.317,61 pontos. A queda livre das ações da fabricante de semicondutores Siltronic (-7,02%) esteve entre as mais agudas dos mercados europeus.
Na Alemanha, o Ãndice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto, que engloba os setores industrial e de serviços, subiu de 53,4 em maio para 54,8 em junho, atingindo o maior nÃvel em três meses, segundo dados finais publicados hoje pela IHS Markit.
Adicionalmente, de acordo com o ranking da operadora da Bolsa de Frankfurt, a Deutsche Börse (+0,56%), o declÃnio do valor de mercado do Commerzbank (+0,94%) pode fazê-lo sair do principal Ãndice e ser substituÃdo pela tech Wirecard (+0,47%) em setembro, quando ocorre a próxima revisão da composição do DAX.
Na Bolsa de Londres, o FTSE 100 baixou 0,27%, para os 7.573,09 pontos, pressionado em boa parte pelas perdas de ações de mineradoras com as cotações cadentes de metais básicos. As da Glencore caÃram 0,48% e as da Antofagasta desabaram 2,68%, mas os papéis da Anglo American avançaram 2,11% em meio a especulações de que a Volcan Investments esteja considerando adquirir o controle dos negócios da Anglo na Ãfrica do Sul.
No Reino Unido, o Ãndice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços avançou de 54 para 55,1 de maio para junho, de acordo com a IHS Markit em conjunto com a CIPS, para o maior nÃvel desde outubro do ano passado. O resultado surpreendeu expectativas do mercado, que previa recuo do indicador para 53,5.
O CAC 40, da Bolsa de Paris, subiu ligeiramente, 0,07%, para os 5.320,50 pontos. O fiel da balança foram as ações do Casino Guichard-Perrachon, dono no Brasil do Grupo Pão de Açúcar, que dispararam 5,83% após o Goldman Sachs tornar pública a compra de uma fatia de 5,18% no conglomerado varejista.
Em Milão, o FTSE MIB fechou em queda de 0,36%, aos 21.686,61 pontos. O Ibex 35, da Bolsa de Madri, teve alta de 1,00%, aos 9.757,50 pontos, enquanto, na Bolsa de Lisboa, o PSI 20 avançou 0,50%, para os 5.515,24 pontos.
Fonte: Estadão Conteúdo