13/02/2018 09h40
Brasil é lento para regulamentar inovação, diz pesquisa
O Brasil é o paÃs em que há maior desconfiança em relação ao trabalho do governo para regulamentar o ambiente de inovação dentre 20 nações pesquisadas pela GE. Segundo levantamento da multinacional que será divulgado hoje, 91% dos executivos ouvidos no PaÃs dizem acreditar que o governo não consegue acompanhar o ritmo das inovações - a média global é de 68%. Os Emirados Ãrabes Unidos e o Canadá são os menos descrentes, com 41% e 51% dos entrevistados, respectivamente, dizendo que o governo não tem capacidade para regulamentar as inovações na velocidade adequada.
O levantamento mostra ainda que o Brasil tem um ambiente menos favorável à inovação do que a média global. Enquanto 43% dos entrevistados afirmam perceber a existência de um ecossistema propÃcio no PaÃs, a média global é de 48%. Para paÃses como Estados Unidos e China, os números alcançam 85% e 73%. Um ambiente que ajuda as empresas a inovarem fortalece também o crescimento delas.
O diretor do centro de inovação da EY (antiga Ernst Young), Denis Balaguer, lembra que, no Brasil, há entraves na própria lei de propriedade intelectual que dificultam a inovação. "O PaÃs não tem patente para softwares, por exemplo. Isso desestimula. E os softwares vão ser a principal matéria da economia nos próximos anos", diz.
Balaguer acrescenta que pode haver também uma contaminação da percepção que os empresários têm do andamento em BrasÃlia das reformas econômicas em geral para o segmento especÃfico da inovação. "A falta de agilidade no Congresso contagia a percepção."
A presidente da GE no Brasil, Viveka Kaitila, aponta como principais desafios para a inovação no PaÃs as dificuldades de financiamento e a falta de profissionais talentosos especializados. "Há ainda um terceiro fator, o risco. O investimento em inovação nem sempre traz o resultado que se espera. Em um momento de recessão, isso se torna mais difÃcil", afirma.
Viveka destaca que a China é o exemplo contrário ao Brasil. Lá, houve um plano de governo de longo prazo para favorecer a inovação. Segundo a pesquisa da multinacional, em 2014, apenas 24% dos chineses afirmavam que havia no paÃs um ambiente propÃcio. Hoje, são 73%. No Brasil, também houve uma melhora no indicador, mas menor - de 14% para 43%.
Protecionismo
Apesar de a teoria econômica indicar que empresas de paÃses abertos tendem a inovar mais incentivadas pela concorrência global, o levantamento da GE mostra que grande parte dos executivos prefere um ambiente protegido. Dos 2.090 entrevistados em todo o mundo, 55% afirmaram que uma polÃtica protecionista na área de inovação seria benéfica aos negócios. Entre os que defendem essas medidas, destacam-se os Emirados Ãrabes (71%) e a Suécia (65%). O Brasil aparece com 51%, menos que a média global.
Para Viveka, essa posição dos executivos também foi surpreendente. Uma das explicações possÃveis, afirma ela, seria que empresas de porte menor podem preferir um mercado menos aberto. Entre os que defendem o protecionismo, 86% dizem que essas polÃticas dão vantagens competitivas à s empresas domésticas e 73% concordam que beneficiam a força de trabalho. No Brasil, a GE ouviu 150 executivos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo