16/11/2022 20h50
Brasil deixa de arrecadar quase R$ 120 bi para subsidiar combustíveis fósseis
Um estudo realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) aponta que as polÃticas de incentivo aos combustÃveis fósseis no Brasil resultaram numa frustração de arrecadação de R$ 118,2 bilhões em 2021, um valor próximo ao registrado no ano anterior. Para 2022, a expectativa é que a quantia seja maior, já que foram zeradas as alÃquotas de PIS, Cofins, PIS-Importação e Cofins importação sobre combustÃveis fósseis.
O levantamento mostra que, para incentivar o consumo, foram destinados R$ 71,9 bilhões, enquanto a produção foi favorecida pela baixa de R$ 46,3 bilhões. O maior subsÃdio à produção de petróleo e gás no Brasil é o Repetro, mecanismo que isenta de tributos a importação e produção interna de máquinas e equipamentos para a exploração de petróleo e gás.
O segundo maior subsÃdio destinou-se aos consumidores de gasolina e diesel, com perda de arrecadação do governo em função de sucessivas reduções de dois tributos incidentes sobre combustÃveis, o PIS/Cofins e a Cide-CombustÃveis. O relatório foi divulgado nesta quarta-feira, 16, na Conferência Internacional do Clima, a COP 27.
"Os subsÃdios são pouco efetivos para o controle inflacionário, pois o aumento dos preços não se deve ao aumento dos impostos, mas, sim, à internalização das oscilações dos preços internacionais, tanto é que a inflação se manteve alta em 2022, mesmo com as renúncias do ano passado", diz Livi Gerbase, assessora polÃtica do Inesc. "Essas benesses ao setor deveriam ser limitadas no tempo e pensadas a partir das necessidades das pessoas mais pobres, pois, do jeito que estão, os subsÃdios só aprofundam ainda mais as desigualdades. Isso porque não existem compensações por parte do governo ou da indústria dos combustÃveis fósseis, e o PIS-Cofins é um tributo criado para financiar a Saúde Pública, Assistência Social e Previdência."
Carvão incentivado
Em 2021, o subsÃdio destinado ao carvão, que sai da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), foi de R$ 749 milhões. O valor destinado à s fontes renováveis dentro da própria CDE é cerca de três vezes menor do que o incentivo destinado ao carvão.
Hoje, a participação do carvão na matriz elétrica do Brasil é de apenas 2,7% da oferta de geração de eletricidade, mas as emissões oriundas dessa fonte representam 30% das emissões totais do setor elétrico.
Fonte: Estadão Conteúdo