07/06/2017 17h20
Brasil já recebeu US$ 3,4 bi desde o início da crise política
O estouro da crise polÃtica não interrompeu o bom momento do setor externo brasileiro. Desde que surgiram as principais denúncias de executivos da JBS contra o presidente Michel Temer, o Brasil recebeu recursos lÃquidos da ordem de US$ 3,423 bilhões, conforme os dados mais recentes do Banco Central.
O resultado leva em conta o fluxo cambial registrado nas áreas financeira e comercial do dia 18 de maio até a última sexta-feira, 2 de junho. Os números indicam que a pressão polÃtica sobre o governo Temer - que fez, inclusive, o dólar saltar ante o real no perÃodo - não provocou fuga generalizada de recursos.
Na área financeira, US$ 1,308 bilhão lÃquidos saÃram do PaÃs no perÃodo. Esta conta reúne os investimentos produtivos por parte de estrangeiros e também os aportes feitos em ativos, como ações e tÃtulos. Inclui ainda as remessas de lucros e os pagamentos de juros. Apesar do resultado negativo, o fluxo financeiro desde o estouro da crise esteve longe de indicar uma debandada dos estrangeiros do Brasil.
"A crise é preocupante para a área financeira, mas não houve - e antes também não havia - um sinal de fuga expressiva de capitais", avaliou o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada. "Na verdade, o movimento financeiro tem sido predominantemente negativo ao longo dos últimos meses, mas não é desordenado. Não houve corrida após a crise."
O economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, faz avaliação semelhante. "O fluxo financeiro já vinha sendo negativo antes da crise polÃtica. Depois, ele se manteve numa dinâmica ruim", afirmou. Lavieri chamou atenção ainda para o fato de o próprio dólar, apesar de ter chegado perto de R$ 3,40 logo após as denúncias contra o governo, acabou se acomodando em patamares menores nos dias seguintes, perto dos R$ 3,25. "A impressão é de que o mercado continua muito leniente com a situação polÃtica do PaÃs. O risco, na nossa avaliação, é muito maior do que está sendo colocado no preço pelos agentes."
Pelo lado comercial, a crise contribuiu em um primeiro momento, mesmo que indiretamente, para a entrada de dólares no PaÃs. Em 18 de maio, primeiro dia de reação do mercado brasileiro à s denúncias, o fluxo comercial foi positivo em US$ 1,266 bilhão. Naquele dia, exportadores aproveitaram o dólar mais elevado, perto dos R$ 3,40, para fechar operações de venda de moeda, o que inflou o fluxo. De 18 a 2 de junho, o PaÃs recebeu pela área comercial US$ 4,731 bilhões lÃquidos.
Os dados consolidados de maio, divulgados nesta quarta-feira, 7, pelo Banco Central, mostram que o PaÃs recebeu US$ 744 milhões lÃquidos no mês passado. A cifra é resultado de entradas pela área comercial de US$ 5,965 bilhões e saÃdas pela via financeira de US$ 5,222 bilhões.
Para Campos Neto, da Tendências, a crise polÃtica tende a dificultar uma melhora do fluxo na área financeira nos próximos meses, justamente porque o risco polÃtico é grande. "Por hora, não há perspectiva de uma entrada muito forte de recursos, diante das incertezas que cresceram nas últimas semanas. Mas uma piora exacerbada do fluxo dependeria de algum fato novo que coloque em risco a agenda econômica do governo", acrescentou.
Fonte: Estadão Conteúdo