17/09/2018 15h11
Brasil passa a ser 3º maior exportador agrícola, mas clima ameaça futuro
O Brasil já é o terceiro maior exportador agrÃcola do mundo. Mas as mudanças climáticas podem representar um desafio real para a expansão produtora do PaÃs e gerar uma contração das vendas externas até 2050.
Os dados são da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), que, nesta segunda-feira, 17, apresentou seu informe anual sobre a produção de commodities. No levantamento, o Brasil terminou o ano de 2016 com uma fatia de 5,7% do mercado global, abaixo apenas dos Estados Unidos, com 11%, e Europa, com 41%.
No inÃcio do século, o Brasil era superado por Canadá e Austrália, somando apenas 3,2% das exportações mundiais e disputando posição com a China, com 3%. De acordo com a FAO, o valor adicionado da agricultura por trabalhador também dobrou entre 2000 e 2015. No inÃcio do século, ele era de US$ 4,5 mil, chegando a US$ 11,1 mil em 2015.
A expansão não se limitou ao Brasil. De acordo com a entidade liderada pelo brasileiro José Graziano da Silva, os paÃses emergentes já representavam 20,1% do mercado agrÃcola global em 2015, contra apenas 9,4% em 2000. Além de Brasil e China, Indonésia e Ãndia foram os principais motores dessa expansão. Dos dez primeiros exportadores hoje, quatro são economias em desenvolvimento.
Enquanto isso, o porcentual do mercado dominado por EUA, União Europeia, Austrália e Canadá foi reduzido em dez pontos porcentuais.
Se o Brasil ganhou espaço entre os exportadores, ele desapareceu da lista dos 20 maiores importadores de alimentos. Em 2000, o Brasil era o 13.º maior importador, com 0,9% do mercado mundial. Em 2016, a lista dos 20 primeiros colocados já não traz o mercado brasileiro.
O mercado mundial, enquanto isso, triplicou. O comércio agrÃcola, que movimentava US$ 570 bilhões em 2000, passou a registrar um fluxo de US$ 1,6 trilhão em 2016. A expansão econômica da China e a demanda por biocombustÃveis foram os principais fatores desse crescimento.
Mudanças climáticas podem afetar produção
Mas se a expansão foi clara nos 15 primeiros anos do século, os cenários até 2050 para o Brasil vão depender do impacto das mudanças climáticas no planeta. De acordo com a FAO, o mundo terá de dobrar sua produção agrÃcola nos próximos 30 anos.
Mas o impacto das mudanças climáticas pode representar desafios reais para a produção brasileira, que poderia inclusive sofrer uma queda. "Mudanças climáticas vão afetar a agricultura global de forma desigual, melhorando as condições de produção em alguns locais. Mas afetando outros e criando "vencedores" e "perdedores", indicou o informe da FAO.
Os paÃses em baixas latitudes seriam aqueles que mais sofreriam. Já regiões com climas temperados poderiam ver uma maior produção agrÃcola, diante da elevação de temperatura.
No caso do Brasil, a previsão é de que, se nada for feito no mercado global, suas exportações seriam afetadas negativamente e haveria até uma leve queda no volume vendido. O mesmo ocorreria com o restante da América do Sul e paÃses africanos. Já Europa, EUA e Canadá registrariam fortes desempenhos.
As exportações brasileiras para Ãfrica e Ãndia aumentariam. Mas haveria também incremento de importações vindas da América do Norte e Europa. Já as vendas brasileiras para a Europa e China - seus dois principais mercados - poderiam ser reduzidas em mais de US$ 1 bilhão cada.
O temor da FAO é que as mudanças climáticas aprofundem a disparidade entre paÃses ricos e emergentes, já que a produção agrÃcola poderia ser afetada. "Precisamos garantir que a evolução e a expansão do comércio agrÃcola funcionem para eliminar a fome e a desnutrição", disse José Graziano da Silva.
Para ele, o comércio internacional tem o potencial de estabilizar os mercados e realocar alimentos de regiões com superávit para aqueles com déficit. Caso as mudanças climáticas fossem acompanhadas, até 2050, pela abertura dos mercados, o Brasil seria o paÃs que veria uma das maiores expansões do comércio agrÃcola.
Fonte: Estadão Conteúdo