14/06/2022 19h30
Brasil perde duas posições em ranking de competitividade do IMD
O Brasil perdeu duas posições e agora está à frente de apenas quatro paÃses - Ãfrica do Sul, Mongólia, Argentina e Venezuela - no ranking feito anualmente pela escola de educação executiva suÃça IMD que avalia a competitividade de 63 paÃses.
Da 57ª posição no levantamento de 2021, o Brasil caiu para o 59º lugar no ranking deste ano, que tem a Dinamarca como o lugar do mundo que oferece as melhores condições para uma empresa prosperar e concorrer em mercados internacionais. O resultado se deve, sobretudo, à pior percepção dos empresários em temas como economia doméstica, sistema tributário, produtividade, infraestrutura básica, oferta de mão de obra qualificada e acesso ao ensino superior no PaÃs.
Pela dificuldade em superar fragilidades - entre elas, o complexo sistema tributário -, o Brasil, exceto uma curta interrupção da tendência entre 2018 e 2020, vem perdendo posições na lista desde 2010, quando estava entre as 38 economias mais competitivas.
Em geral, os paÃses mais competitivos do mundo têm em comum um desempenho relativamente estável em produtividade, educação e tecnologia. Entre os paÃses da América Latina, que ocupam a parte de baixo da tabela, o Chile é o melhor colocado, na 45ª posição.
Desta vez, em função da guerra no leste europeu, que provocou mudança radical do ambiente de negócios nos dois paÃses, Rússia e Ucrânia foram excluÃdas do ranking. Os indicadores econômicos, a maioria relativa ao ano passado, têm maior peso no levantamento (2/3). Porém, a posição dos paÃses também leva em conta, com peso de 1/3 no resultado final, pesquisas de opinião, realizadas entre fevereiro e maio, com gestores de alto escalão das empresas nos mercados analisados. No Brasil, as coletas de dados econômicos e a pesquisa foram realizadas pela Fundação Dom Cabral (FDC).
A nova colocação do Brasil no ranking é resultado das preocupações dos empresários com os impactos da inflação no poder de compra das famÃlias - um fenômeno global, mas que tem efeitos mais perversos em paÃses onde a população vulnerável é maior -, o aumento dos juros no custo de capital e diversos outros obstáculos como a dificuldade das empresas em reter talentos frente à s oportunidades oferecidas em outras economias.
Segundo o professor Carlos Arruda, do núcleo de inovação e empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (FDC), o rebaixamento do Brasil aconteceu mais pela piora na avaliação do empresariado do que propriamente pelos últimos resultados da economia. "Há um certo desânimo dos empresários com o contexto brasileiro", comenta.
Enquanto a produtividade da força de trabalho no Brasil segue abaixo da média internacional, a disponibilidade de mão de obra qualificada, assim como o número, considerado baixo, de graduados em ciência e tecnologia, não acompanha as novas habilidades e competências demandadas pela revolução tecnológica. Da mesma forma, a avaliação entre empresários é de que a educação universitária no Brasil não é compatÃvel com as necessidades das empresas.
O avanço do desmatamento em biomas nacionais, que prejudica a imagem do PaÃs e a presença de empresas brasileiras em mercados internacionais, é outro motivo por trás da piora da competitividade brasileira, assim como o atraso do Brasil, se comparado a outros paÃses, em realizar mudanças significativas do sistema tributário.
Para Arruda, embora o PaÃs tenha reduzido a burocracia na abertura de empresas e avançado na digitalização de serviços públicos, a defasagem em áreas como legislação empresarial, educação e infraestrutura segue pesando na competitividade brasileira, tornando ainda mais urgente avançar nas reformas, principalmente a tributária e a administrativa. "Fica claro que o Brasil precisa de ajustes com certa urgência. Apesar de alguns avanços, o Brasil ainda é visto como um paÃs pouco competitivo", observa o professor.
Fonte: Estadão Conteúdo