07/11/2022 15h00
Brasil tem recorde de 30,3% das famílias inadimplentes em outubro, mostra CNC
A inadimplência alcançou novo recorde em outubro, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A proporção de famÃlias com contas em atraso passou de 30% em setembro para 30,3% em outubro, quarto mês seguido de avanços. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Em um ano, a fatia de inadimplentes aumentou em 4,7 pontos porcentuais, maior avanço nesse tipo de comparação anual desde março de 2016. Em outubro de 2021, a proporção de famÃlias com contas em atraso era de 25,6%.
Já o endividamento registrou queda de 0,1 ponto porcentual, passando de 79,3% setembro para 79,2% em outubro, interrompendo uma sequência de três meses de altas. A pesquisa considera como dÃvidas as contas a vencer nas modalidades cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa.
Há um ano, a proporção de endividados era de 74,6%, ou seja, aumentou em 4,6 pontos porcentuais.
Na passagem de setembro para outubro, a proporção de famÃlias endividadas com renda mensal até 10 salários mÃnimos teve ligeiro recuo de 80,3% para 80,2%. Entre as famÃlias mais ricas, que recebem mais de 10 salários mÃnimos mensais, a fatia de endividados diminuiu de 75,9% para 75,4%.
Segundo a CNC, a melhora no mercado de trabalho, a desaceleração da inflação e as polÃticas de transferência de renda explicam o leve arrefecimento do endividamento. Por outro lado, o endividamento em patamar elevado e os juros altos dificultam o pagamento das contas e pioram o quadro de inadimplência.
A economista Izis Ferreira, responsável pela pesquisa da CNC, pondera que a proporção de famÃlias com dÃvidas atrasadas por mais de 90 dias tem diminuÃdo desde abril, totalizando 41,9% dos inadimplentes nessa situação em outubro, a menor proporção desde dezembro de 2021.
"Os consumidores têm buscado renegociar as dÃvidas sem pagamento há mais tempo", avaliou Izis Ferreira, em nota oficial.
A proporção de famÃlias que afirmam não ter condições de pagar as contas em atraso - ou seja, que permanecerão inadimplentes - diminuiu de 10,7% em setembro para 10,6% em outubro.
O porcentual de consumidores que atrasaram o pagamento de dÃvidas cresceu em 12 estados brasileiros na passagem de setembro para outubro. As Unidades da Federação com as maiores proporções de famÃlias inadimplentes foram Bahia (43,7%), Rio Grande do Norte (42,4%), Minas Gerais (42,2%), Ceará (41,9%) e Roraima (38,5%).
Quanto ao endividamento, a proporção de endividados cresceu em outubro ante setembro em 17 das 27 Unidades da Federação, com destaque para o nÃvel elevado de endividados em estados do Sul e Sudeste. No Paraná, 95,8% das famÃlias estão endividadas, e no Rio Grande do Sul, 91,9%. Os três estados seguintes no ranking de maior endividamento são Rio de Janeiro (89,7% das famÃlias possuem dÃvidas), EspÃrito Santo (88,5%) e Minas Gerais (87,2%).
No perÃodo de um ano, aumentou a proporção de famÃlias com dÃvidas no cartão de crédito (de 84,9% dos endividados em outubro de 2021 para 86,2% em outubro de 2022) e no cheque especial (de 4,9% para 5,1%).
"Caracterizados pela facilidade no acesso e alta relação com as necessidades de consumo de curto prazo, os dois tipos de dÃvida foram os mais buscados pelos consumidores que tiveram o poder de compra afetado pela alta da inflação no perÃodo", justificou a economista Izis Ferreira.
Já a proporção de endividados no crédito consignado diminuiu de 7% em outubro de 2021 para 5% em outubro de 2022. Izis Ferreira prevê novo avanço em breve nessa modalidade, em razão da contratação desse tipo de crédito pelos beneficiários do AuxÃlio Brasil. Na passagem de setembro para outubro, o endividamento no consignado teve a primeira alta em cinco meses, com avanço de 0,1 ponto porcentual.
"Vale notar ainda que, nos dias 10 e 11 de outubro, o Google Trends apontou recordes nos Ãndices de busca pelo termo 'consignado AuxÃlio Brasil', justamente quando a Caixa Econômica Federal anunciou a oferta dessa linha de crédito especÃfica para beneficiários desse programa de transferência de renda", explicou a economista.
Fonte: Estadão Conteúdo