01/10/2021 12h30
Brasil teve choques específicos que impactam de forma diferente, diz Campos Neto
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira, 1º de outubro, que a visão de que a inflação seria temporária já foi ultrapassada no mundo, mas que há diferença no passo de normalização monetária entre os paÃses.
Segundo o presidente do BC, o Brasil tem feito mais para normalizar a taxa de juros. "Brasil teve choques especÃficos que impactam PaÃs de forma diferente", disse ele, em participação na webinar do Morgan Stanley.
Mas Campos Neto argumentou que os preços de serviços no Brasil ainda estão mais baixos do que os vistos nos outros paÃses, em meio ao processo de normalização do consumo de bens para serviços.
O presidente do Banco Central afirmou que há clara diferenciação entre a recuperação dos paÃses avançados e os emergentes, com melhor desempenho dos paÃses desenvolvidos.
Ponderou, no entanto, que, um ano e meio após o inÃcio da pandemia de covid-19, a maioria dos paÃses está perto do nÃvel anterior à covid.
O presidente do BC ainda repetiu que a recuperação global tem desacelerado na margem e destacou o desempenho da Ãsia, que tem sofrido com a variante delta e também citou "outros fatores" sem detalhar.
Condições para o crescimento sustentável
Campos Neto repetiu que controlar a inflação é a melhor maneira de criar crescimento sustentável, especialmente em um paÃs com memória inflacionária como o Brasil, em linha com o mandato secundário da autoridade monetária, incluÃdo na lei de autonomia este ano.
Ele argumentou ainda que o impacto sobre a economia não depende apenas do que ocorre com a Selic, mas de como isso se propaga na curva. "Você pode aumentar a Selic e produzir condições financeiras mais frouxas. É preciso ter credibilidade no processo de estabilização de preços."
O presidente do BC também comentou que a inflação brasileira sofreu uma sequência de choques, com os alimentos, combustÃveis e energia, que começam a ser repassados no processo de reabertura da economia. Mas ponderou que é difÃcil modelar esse repasse de custos em um momento inédito como o atual, de recuperação da pandemia de covid-19. "Repasse de custos não ocorre de maneira linear."
Sobre a inércia, Campos Neto disse o BC está avaliando constantemente, mas que as evidências indicam que o nÃvel é o mesmo do passado. "Não temos evidência de aumento de inércia inflacionária."
Fonte: Estadão Conteúdo