04/10/2019 13h40
Brasileiro passou a destinar mais do orçamento para comer fora de casa, diz IBGE
Os brasileiros estão comendo mais fora de casa. As famÃlias gastaram, em média, R$ 658,23 mensais com alimentação, sendo 67,2% (R$ 442,27) com alimentos consumidos no domicÃlio e os demais 32,8% (R$ 215,96) com alimentação na rua, ou seja, em restaurantes, bares e lanchonetes PaÃs afora. Os dados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE).
Em uma década, cresceu a proporção de recursos destinados à alimentação fora do domicÃlio: passando de 31,1% do total destinado à alimentação na POF de 2008-2009 para 32,8% em 2017-2018.
Entre as famÃlias que moram em áreas urbanas, essa fatia destinada à alimentação fora de casa subiu de 33,1% para 33,9% no perÃodo. O salto foi maior entre as famÃlias de áreas rurais, de 17,5% para 24,0%.
"Pode ser que o desenvolvimento das áreas rurais tenha contribuÃdo. Estão chegando mais estabelecimentos nessas áreas, mais lugares para as pessoas fazerem refeição fora do domicÃlio", justificou André Martins, gerente da POF no IBGE.
No entanto, o fenômeno também pode ter contribuição de mudanças no mercado de trabalho, com mais mulheres ocupadas fora de casa ou simplesmente mais pessoas da famÃlia trabalhando fora do domicÃlio, acrescentou Martins.
Entre a POF 2008-2009 e a POF 2017-2018, a única região com queda no porcentual de recursos destinados à alimentação fora do domicÃlio foi a Sudeste: de 37,2% para 34,2%.
As famÃlias com menor proporção de gasto com alimentação fora de casa foram as da região Norte (21,4%), enquanto os habitantes do Centro-Oeste registraram a maior fatia (38,0%). No Centro-Oeste, a despesa média mensal familiar com alimentação fora do domicÃlio foi de R$ 277,68, 133,8% a mais que o gasto na região Norte (R$ 118,79), o menor do PaÃs.
As mudanças nos hábitos de consumo das famÃlias brasileiras captadas pela POF servirão de parâmetro para recalcular o peso dos itens pesquisados pelo Ãndice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no PaÃs. O IBGE divulgará na próxima sexta-feira, dia 11, a nota técnica com as futuras mudanças no cálculo do IPCA. A inflação passará a ser calculada sob a nova metodologia apenas em janeiro do ano que vem, com divulgação prevista para o inÃcio de fevereiro.
Na comparação entre as faixas de renda, as famÃlias com rendimentos mais baixos, que recebiam até R$ 1.908,00 mensais, destinavam 20,6% de despesa com alimentação para refeições fora de casa e 79,4% para alimentos a serem consumidos no domicÃlio. Já entre as famÃlias mais ricas, com rendimentos acima de R$ 23.850,00, a fatia destinada à alimentação fora do domicÃlio foi de 50,3%, superando a proporção destinada à alimentação em casa, que recebeu 49,7% de todos os recursos destinados à compra de alimentos.
O valor despendido em alimentação pelas famÃlias mais ricas foi mais de seis vezes maior que o gasto das famÃlias mais pobres com alimentos.
A despesa dos mais ricos com alimentação no domicÃlio foi quase quatro vezes maior que o valor despendido pelos mais pobres. Quanto à alimentação fora do domicÃlio, as famÃlias rendimentos mais altos gastaram 15,3 vezes mais que o total despendido pelas famÃlias mais pobres.
Fonte: Estadão Conteúdo