07/04/2020 11h00
Caixa está criando 30 milhões de contas digitais de graça, diz Guimarães
A Caixa vai criar mais de 30 milhões de poupanças digitais para pagar o auxÃlio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais, disse nesta terça-feira, 7, o presidente do banco, Pedro Guimarães. Segundo ele, a Caixa quer incentivar os beneficiários que façam transferências e pagamentos digitais para evitar aglomerações em agências e lotéricas num momento em que o novo coronavÃrus avança no PaÃs.
"São 40 a 50 milhões de pessoas (beneficiadas) em um mês. Isso claramente, mesmo com lotéricas, geraria impacto fÃsico muito grande em nossas agências e lotéricas. Por causa disso, estamos fazendo esforço único para fazer pagamentos digitais", comentou Guimarães.
Segundo ele, há um esforço para que esses brasileiros "paguem conta de água, conta de luz, transferências DOC" por meio digital "para que não precisem sair de casa".
"Os brasileiros poderão fazer DOCs de graça, pagamentos de conta de graça", disse Guimarães. "Poucos paÃses do mundo conseguiram em tão pouco tempo colocar 30 milhões em contas digitais."
Cronograma
Os trabalhadores informais que receberem o auxÃlio emergencial de R$ 600 não poderão sacar os recursos em espécie num primeiro momento, admitiu Guimarães. Por enquanto, o dinheiro só poderá ser usado para fazer transações digitais, como pagamentos e transferências.
Segundo Guimarães, haverá um calendário, a ser divulgado apenas na próxima semana, para os saques em espécie dos auxÃlios.
"As pessoas vão receber o dinheiro na conta e vão poder fazer movimentação. Mas saque terá cronograma. Se num dia só liberarmos 50 milhões para sacar dinheiro ao mesmo tempo, teremos colapso no sistema financeiro", disse o presidente da Caixa. "Estamos estudando um escalonamento para recebimento em espécie."
Na prática, o dinheiro estará disponÃvel na conta bancária do beneficiário ou nas 30 milhões de poupanças digitais que devem ser criadas para quem ainda não tem conta em banco. No entanto, não poderá ser retirado em espécie pelos contemplados.
Reportagem do Broadcast (sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada mostrou que o abastecimento dos municÃpios com cédulas era um dos gargalos na logÃstica de pagamento do auxÃlio emergencial.
O sociólogo Luis Henrique Paiva, ex-secretário Nacional de Renda de Cidania e hoje pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica, explica que 70% dos beneficiários do Bolsa FamÃlia não têm conta e sacam o benefÃcio em dinheiro. O valor médio dos repasses do programa não chega a R$ 200 por famÃlia repasse que, durante três meses, será triplicado.
Procurado na ocasião, o Banco Central informou que "entende que a quantidade de dinheiro em circulação é adequada para fazer frente aos desafios atuais e futuros" e que, desde o inÃcio da pandemia da covid-19, "atua e monitora o processo de fornecimento de cédulas e moedas junto à rede bancária para que não haja qualquer interrupção". A autoridade monetária não respondeu aos questionamentos sobre eventual reforço no envio de papel-moeda à s regiões.
Segundo Guimarães, a expectativa do governo é que os informais já estejam acostumados com transferências bancárias. Ele admitiu, porém, que a população de baixa renda, que está no Cadastro Único de programas sociais, pode ter maior demanda por saques em dinheiro.
Fonte: Estadão Conteúdo