09/11/2017 18h50
Cenário externo pesa e Ibovespa fecha em queda de 1,93%
O mau humor exibido nesta quinta-feira, 9, pelas bolsas de Nova York foi implacável com a bolsa brasileira, que vem sendo enfraquecida por um movimento de saÃda de recursos externos. As divergências em torno da reforma tributária nos Estados Unidos provocaram fortes perdas à s bolsas de Nova York, com reflexos diretos no mercado brasileiro. O Ãndice Bovespa fechou em queda de 1,93%, aos 73.930,69 pontos, depois de ter caÃdo até 2,11%, no auge do nervosismo lá fora.
Nos EUA, pesaram as divergências dentro do Partido Republicano sobre o projeto de reforma tributária do presidente Donald Trump. À tarde, os mercados se estressaram com a notÃcia de que os senadores republicanos planejam atrasar um corte no imposto corporativo dos 35% atuais para 20% até 2019. A iniciativa contraria as intenções de Donald Trump, que defende um corte imediato no tributo.
Para William Castro Alves, diretor da Valor Gestora de Recursos, a queda do Ibovespa em sintonia com o cenário externo reflete ainda o recente movimento de correção nos mercados emergentes. Ele afirma ainda que a saÃda de recursos nas últimas semanas é um dos principais fatores de falta de sustentação das ações.
No acumulado de novembro até o dia 7 (5 pregões), o saldo lÃquido dos investimentos estrangeiros está negativo em R$ 1,777 bilhão, o que representa quase todo o montante que saiu da bolsa em outubro, de R$ 1,834 bilhão. Somente no dia 7 foram retirados R$ 962,555 milhões. O analista destaca que, na análise por múltiplos, o Ãndice vinha operando em patamares elevados, o que já sugeria uma correção.
Com a queda desta quinta, o Ibovespa reduziu em boa parte os ganhos de 2,69% registrados na véspera, com a melhora de percepção dos investidores com a reforma da Previdência. Hoje o assunto continuou no foco dos investidores, mas a redução no volume de notÃcias manteve o mercado em compasso de espera dos próximos passos do governo. O presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, buscaram manter o tom da véspera, sinalizando para os esforços em torno da aprovação da reforma. Meirelles disse que a discussão sobre a Previdência "está em andamento" na Câmara e que o Congresso aprovará "a reforma que julgar adequada".
O pregão foi de quedas praticamente generalizadas. Petrobras ON e PN perderam 1,35% e 1,36%, respectivamente, mesmo com o petróleo operando em alta nos mercados de Nova York e Londres. O setor financeiro caiu em bloco, com destaque para Bradesco PN, que recuou 3,62%. Na contramão estiveram os papéis de papel e celulose, que subiram amparados na expectativa otimista para o setor. Fibria ON subiu 5,25%, enquanto Suzano PNA e Klabin units avançaram 5,18% e 2,26%.
Fonte: Estadão Conteúdo