13/11/2019 15h20
China atribui grande importância à influência do Brasil em região, diz Xi Jinping
O presidente da China, Xi Jinping, pediu nesta quarta-feira, 13, o envolvimento do Brasil para expandir seus negócios na América Latina e no Caribe, áreas de interesse comercial do paÃs e de forte influência econômica e geopolÃtica dos Estados Unidos, que tem sido parceiro preferencial do governo Jair Bolsonaro.
Em reunião bilateral prévia à cúpula do Brics, o chinês também cobrou de Bolsonaro um esforço conjunto para que o bloco dos paÃses emergentes, integrado também por Rússia, Ãndia e Ãfrica do Sul, defenda o "multilateralismo" e os direitos das nações em desenvolvimento frente à s grandes potências.
"A China atribui grande importância à influência do Brasil na América Latina e o Caribe. Vamos aproveitar nossas vantagens para promover o desenvolvimento comum, visando criar relações China /América Latina e Caribe na nova era, caracterizada pela igualdade, benefÃcio mútuo, inovação, abertura e benefÃcios para o povo", disse Xi Jinping, em declaração à imprensa após o encontro no Palácio Itamaraty. "A China gostaria de tratar a cooperação de três ou mais partes baseada no respeito à s vontades dos paÃses da região para fazer um bolo maior e realizar ganhos compartilhados."
Desde o ano passado, a China trava uma guerra tarifária com os Estados Unidos, com avanços e recuos nos entendimentos, e passou a usar as cúpulas do Brics como um mecanismo de exposição e influência internacional para defender seus interesses e cobrar equidade no tratamento aos paÃses em desenvolvimento.
No encontro bilateral, Xi Jinping apelou a Bolsonaro por uma posição contra o unilateralismo na declaração do Brics, sem citar em público as tarifações impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump. Ele considerou que o Brasil e a China são os principais mercados emergentes do Ocidente e Oriente no contexto internacional de "mudanças profundas e complexas".
"Brasil e China devem se esforçar juntos para que a cúpula tenha resultados frutÃferos e emitir sinal positivo de que os membros consolidam a parceria estratégica, apoiam o multilateralismo, a equidade e a justiça internacional e defendem os direitos dos paÃses em desenvolvimento para que os Brics avancem constantemente na segunda década dourada trazendo benefÃcios aos nossos povos", disse Xi.
Segunda "década dourada" é o termo cunhado na diplomacia chinesa para se referir à segunda década de existência do bloco, que completou dez anos em 2018. Agora, porém, as economias do Brics não crescem no mesmo ritmo que nos primeiros dez anos.
Segundo o presidente chinês, houve "amplos consensos" na conversa com Bolsonaro sobre os interesses comuns. Ele reafirmou que os paÃses mantêm relação de confiança e que deseja a China atualizar a parceria estratégica com o Brasil e ampliar a cooperação.
"A China está disposta a trabalhar junto com o Brasil para promover o intercâmbio em pé de igualdade", declarou o presidente chinês. "Decidimos juntos continuar intensificando contatos de alto e outros nÃveis, aprofundar a confiança polÃtica mútua e fazer bom uso de mecanismos bilaterais e aumentar o comércio e o investimento."
Xi Jinping citou interesse na carteira de obras e projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) brasileiro e que deseja realizar cooperação em agricultura, energia, mineração, óleo e gás, infraestrutura, eletricidade, ciência, tecnologia e inovação e economia digital.
Fonte: Estadão Conteúdo