03/08/2020 08h00
Classes C e D ficam de fora do benefício e à margem da cultura
Com tantas possibilidades de enquadramento na meia-entrada, quem fica de fora de qualquer benefÃcio são justamente os mais pobres. De acordo com a Ancine, as classes C e D representam 28,5% da população, mas apenas 17,3% dessas pessoas foram ao cinema pelo menos uma vez em 2017.
A análise por escolaridade expõe cenário semelhante. Segundo a Ancine, pessoas com maior escolaridade, mesmo com menor renda, frequentam o cinema com mais assiduidade. "Nesse aspecto, a polÃtica de meia-entrada, se focalizada em baixa renda, teria o potencial de estimular a ampliação do consumo de cinema para parcela da população que enfrenta maiores barreiras."
O Ministério da Economia corroborou a análise da Ancine e defendeu o fim da meia-entrada. Conforme análise da pasta, a meia-entrada acaba sendo uma ilusão, já que os preços são elevados para compensar a queda das receitas dos exibidores, enquanto aqueles que pagam a inteira são lesados.
EquilÃbrio
O temor de aumento de preços caso não haja lei ou benefÃcio não se justifica para a Ancine. Isso por que os preços de ingressos nos cinemas brasileiros não são fixos. Dados da análise da agência reguladora mostram que as redes praticam valores mais baixos em sessões à s segundas, terças e quartas, enquanto os mais altos são reservados para o sábado à noite.
Nesse sentido, as salas de cinema atuam de forma semelhante às empresas aéreas, que elevam preços conforme a demanda, com promoções em dias menos disputados. Nos dois casos, o custo não muda, mas a lucratividade é maior quando a sala ou o avião estão cheios.
Na consulta pública, a Ancine não se posiciona em relação a uma solução para corrigir as distorções, mas apresenta três cenários que poderiam subsidiar uma decisão do Executivo ou do Legislativo: manter a polÃtica atual, restringir o alcance da meia-entrada ou extingui-la.
Liminar a meia-entrada a jovens atendidos por programas sociais do governo, segundo a Ancine, atingiria 16,8 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, ou 7,9% da população.
Para o órgão regulador, beneficiar pessoas por critérios como deficiência, idade ou ainda pela situação de estudante é mais eficiente. Em relação aos estudantes, a Ancine estima que se trata de um universo de quase 60 milhões de pessoas, ou 31,2% da população, abrindo espaço para distorções.
"Uma pessoa que tenha completado o ensino superior esteve, pelo menos, 16 anos na condição de estudante. Já aquele que encerrou os estudos após a conclusão do ensino fundamental esteve 9 anos nessa condição", diz a Ancine.
"Pessoas que integram famÃlias com menor renda, em média, estudam por menos do que pessoas de famÃlias com maior renda. O que significa que jovens de famÃlias de menor renda ficam menos anos na condição de estudante, tendo assim acesso a 'meia-entrada' por menos tempo que jovens de famÃlias com maior renda."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo