27/09/2021 16h40
Câmara aprova PLN que autoriza uso da reforma do IR para bancar Auxílio Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira, 27, projeto de lei (PLN) que autoriza o governo federal a usar a reforma do Imposto de Renda como fonte de recursos para compensar a criação do AuxÃlio Brasil, programa desenhado para substituir o Bolsa FamÃlia. O PLN, encaminhado ao Congresso pelo Executivo, teve relatoria do deputado Juscelino Filho (DEM-MA) e ainda precisa ser analisado pelo Senado.
A proposta autoriza o uso de propostas legislativas em tramitação como fonte de compensação para criação ou aumento de despesa obrigatória para programas de transferência de renda. A intenção do governo é usar a arrecadação oriunda das mudanças no Imposto de Renda para bancar o AuxÃlio Brasil. A reforma no IR já foi aprovada pela Câmara dos Deputados. No entanto, por ora, ainda aguarda para avançar no Senado.
"Não podemos fazer aposta num projeto que não se sustenta, já que se apoia em projeto de lei que está para ser votado no Senado, mas não foi. Se aprovamos esse PLN, e o projeto (do IR) não é aprovado... É um vexame para o Congresso", criticou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) durante a votação.
Em seu parecer, Juscelino flexibilizou ainda mais o uso de recursos gerados pela redução de despesas primárias a partir da abertura de créditos extraordinários. Segundo o texto aprovado pela Câmara, esse espaço também poderá ser usado para despesas primárias que não têm relação com a área que recebeu dinheiro via crédito extraordinário. O montante de recursos extra originalmente destinado ao auxÃlio emergencial deixará sobrando alguns recursos do Bolsa FamÃlia previstos para este ano.
O PLN mexe na lei de diretrizes Orçamentárias de 2021. Responsável por dar um parecer sobre o texto, Juscelino também é relator da LDO de 2022. No projeto votado nesta segunda, ele propôs para 2021 a inclusão de dispositivos idênticos aos aprovados pelo Congresso e vetados pelo presidente Jair Bolsonaro nas diretrizes do orçamento de 2022.
Um dos dispositivos autoriza a celebração de aditivos em contratos para conclusão de obras paralisadas que demonstrem "equilÃbrio no cronograma fÃsico financeiro e apresentem execução fÃsica igual ou superior a 30%". É uma proposta polêmica e enfrenta resistências na equipe econômica, mas é patrocinada pela base de apoio do governo. A alteração pode encarecer o custo de obras nos próximos anos com o objetivo de atender a interesses eleitorais.
Além disso, o governo havia proposto no texto original a proibição do envio de recursos para municÃpios inadimplentes com menos de 50 mil habitantes e ainda a vedação à s transferências especiais para emendas de bancada estadual, verbas batizadas de "emendas cheque em branco" e "PIX orçamentário". Essas duas propostas já foram alvo de derrubada de vetos no Congresso. No parecer do projeto, o relator garante a manutenção dos dispositivos na LDO deste ano.
Outro dispositivo polêmico incluÃdo no parecer de Juscelino Filho abre caminho para redução de recursos na área de saúde ainda neste ano, apesar da pandemia de covid-19. Atualmente, a LDO proÃbe a abertura de créditos adicionais ao longo do ano com a diminuição das despesas ao setor incluÃdas por emendas parlamentares. No Orçamento de 2021, estão destinados R$ 5,281 bilhões em emendas de deputados e senadores para ações e serviços públicos de saúde. Com a alteração, o valor poderá cair até o fim do ano.
Fonte: Estadão Conteúdo