15/02/2021 17h54
Coface: após recuperação mecânica 'pós-lockdown', desafios maiores estão por vir
Após uma recuperação mecânica da economia mundial "pós-lockdown", os desafios mais difÃceis de serem superados ainda estão por vir. É o que revela um estudo feito pela Companhia Francesa de Seguros de Comércio Exterior (Coface) com dados econômicos de 162 paÃses ao qual o Broadcast teve acesso com exclusividade.
O trabalho resultou do esforço conjunto dos departamentos econômicos da Coface Francesa e de suas filiais espalhadas pelo mundo. No Brasil, o trabalho foi comandado pela economista-chefe PatrÃcia Krause.
Diz o estudo que, semelhante ao trimestre passado, as incertezas em torno das previsões apresentadas neste "barômetro" são muito altas. Elas estão principalmente ligadas à situação de saúde global.
"Desde junho, a pandemia ganhou força em muitos paÃses emergentes e em desenvolvimento. Ãndia e, em menor grau, Indonésia, Marrocos, Argélia e Argentina são alguns exemplos. Enfraqueceu ligeiramente, mas permaneceu em uma intensidade significativa em outros paÃses como Rússia, Ãfrica do Sul, Brasil e México", ressalta o estudo.
Na Europa, a "segunda onda" parece estar se aproximando mais rápido do que inicialmente previsto pelos especialistas mais pessimistas, particularmente na Espanha e, em menor grau, na França. Nos EUA, a situação continua preocupante em vários Estados, apesar de uma modesta melhoria a nÃvel nacional desde meados do verão.
De acordo com os economistas da Coface, as diferentes polÃticas de testagem de um paÃs para outro aumentam a dificuldade de leitura dessas trajetórias. Em alguns paÃses, o baixo número de testes se traduz em uma subestimação da escala da epidemia, como na Ãndia, por exemplo, enquanto em outras nações, o alto número de testes desde o final do perÃodo de contenção em maio e junho torna obsoletas comparações com o número de novos casos no perÃodo anterior, particularmente na Europa.
"A opinião pública e os governos estão determinados a evitar um segundo lockdown rigoroso a todo o custo, uma vez que levaria as economias de volta a uma recessão profunda. Embora o cenário central da Coface não inclua a implementação de tais medidas, esse risco não pode ser excluÃdo. Aliás, em 11 de setembro, Israel se tornou o primeiro paÃs a anunciar um segundo lockdown nacional", destaca PatrÃcia Krause.
Investimentos
Neste contexto de extrema incerteza e na dependência da disponibilidade de uma vacina, de acordo com a companhia francesa, as empresas têm sido cautelosas. Cancelaram ou adiaram muitos projetos de investimento durante o perÃodo de contenção, devido aos efeitos combinados de saÃdas reduzidas e/ou linhas de produção temporariamente interrompidas durante o "lockdown".
Isso causou a destruição de muitos empregos. De acordo com as últimas estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), diz o estudo, o número de horas trabalhadas diminuiu 14% em todo o mundo no primeiro semestre de 2020, o que equivale a cerca de 400 milhões de postos de trabalho. A maior queda foi observada na América do Norte e na América Latina, com recuo de 18%.
As razões subjacentes a estas horas não trabalhadas diferem de paÃs para paÃs: embora, em muitos casos, reflitam empregos que foram efetivamente destruÃdos, em outros, estão principalmente ligadas à s horas não trabalhadas no âmbito de regimes de trabalho com horário reduzido.
Os empregos destruÃdos penalizaram principalmente os trabalhadores menos qualificados, para os quais é geralmente mais difÃcil trabalhar remotamente.
"Em outras palavras, esta crise provavelmente será um catalisador para a desigualdade e frustração social. Além disso, os consumidores também têm sido cautelosos, uma vez que enfrentam um risco acrescido de desemprego. Em primeiro lugar, foram um pouco restringidos durante o perÃodo de contenção, uma vez que não podiam consumir vários bens e serviços", observa o estudo da Coface.
Fonte: Estadão Conteúdo