15/02/2022 13h00
Com alimentos, inflação de janeiro foi quase o dobro aos mais pobres, diz Ipea
Por causa dos preços dos alimentos, a inflação de janeiro pesou quase duas vezes mais para as famÃlias de baixa renda do que para as pessoas mais ricas, mostra o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta terça-feira, 15, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O indicador desagrega por faixas de rendimento o IPCA, Ãndice oficial de inflação, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE). Em janeiro, o IPCA avançou 0,54%, acumulando alta de 10,38% em 12 meses.
Para as famÃlias de renda "muito baixa" (até R$ 1.808,79 ao mês na soma de todos de um domicÃlio, na classificação do Ipea), os preços subiram em média 0,63%, enquanto para as pessoas de renda "alta" (acima de R$ 17.764,49 ao mês por domicÃlio) a alta ficou em 0,34%. No acumulado em 12 meses, o IPCA ficou em 10,5% para os de renda "muito baixa" e em 9,6% para quem tem renda "alta".
"Não obstante ao fato de que o grupo de alimentos e bebidas tenha sido o principal foco de inflação para todas as classes, o impacto da alta dos alimentos foi bem mais intenso para as famÃlias de renda muito baixa", diz a nota do Ipea.
Isso ocorre porque a participação de itens básicos ou despesas essenciais é maior na cesta de consumo das famÃlias mais pobres. Enquanto isso, a cesta de consumo dos mais ricos tem participação maior de serviços e gastos não essenciais, como turismo e lazer, mesmo que, em termos absolutos, seus gastos com alimentos superem as despesas dos mais pobres.
Segundo o Ipea, os preços de legumes, frutas e verduras foram os grandes vilões da inflação para os mais pobres. Itens importantes da cesta básica ficaram mais baratos em janeiro, como o arroz (-2,7%), o feijão (-3,0%) e aves e ovos (-0,8%). Só que os reajustes dos produtos "in natura" falaram mais alto, como no caso da cenoura (27,6%), laranja (14,9%), banana (11,7%), batata (9,7%), das carnes (1,3%), do café (4,8%) e do óleo de soja (1,4%).
Por outro lado, as famÃlias mais ricas experimentaram um alÃvio nos preços de combustÃveis. Já há sinais de novos reajustes dos combustÃveis no atacado, mas, em janeiro, eles ainda estavam em queda no IPCA. Como as famÃlias mais pobres dificilmente têm carro particular e, portanto, tendem a gastar pouco com combustÃvel, esse alÃvio pouco interfere na inflação média para essas faixas de renda.
"A queda dos combustÃveis - gasolina (-1,1%) e etanol (-2,8%) -, das passagens aéreas (-18,4%) e do transporte por aplicativo (-18%) fez com que o grupo de transportes trouxesse um forte alÃvio inflacionário para a faixa de renda alta", diz a nota do Ipea, citando também os planos de saúde, outro tipo de gasto que não costuma fazer parte da cesta de consumo dos mais pobres. "A deflação de 0,69% dos planos de saúde gerou uma descompressão do grupo de saúde e cuidados pessoais" no IPCA dos mais ricos, segundo o Ipea.
Fonte: Estadão Conteúdo