30/05/2017 07h36
Com crise, líderes da base aliada já falam em aprovar apenas idade mínima
Com o agravamento da crise polÃtica no PaÃs, lÃderes de partidos da base aliada na Câmara dos Deputados começaram a defender uma reforma da Previdência mais "enxuta". Nas conversas, os parlamentares já discutem aprovar apenas o aumento da idade mÃnima para a aposentadoria, considerado um dos pilares da proposta. As outras mudanças seriam encaminhadas só a partir de 2019, quando o PaÃs terá um novo presidente eleito pelo voto direto.
Outra opção cogitada por lideranças no Congresso é uma "minirreforma" da Previdência, como antecipou o Estadão/Broadcast na semana passada. Alguns estudos já foram encomendados para verificar a viabilidade de aprovar medidas por outros caminhos que não uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) - que precisaria de 308 votos na Câmara e 49 no Senado. Uma saÃda seria fazer algumas mudanças por medida provisória (MP) ou projeto de lei, que precisam de menos votos.
"É hora de transparência, de reconhecer que o momento é delicado e que isso impacta na votação das reformas. É preciso, sim, fazer uma avaliação do cenário, para entender o que tem condição de ser aprovado agora, deixando o desafio maior para o próximo governo eleito", afirmou o lÃder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB). A legenda é uma das principais bases de sustentação do governo Temer no Congresso.
Para Efraim, esses pontos só poderão ser definidos após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgar a ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico. A Corte marcou o inÃcio do julgamento para 6 de junho.
"Se o clima estiver muito pesado, podemos pensar em aprovar uma reforma deixando só a idade mÃnima. Para dar algum sinal ao mercado", defendeu o deputado Marcos Montes (MG), lÃder do PSD, quinto maior partido da Câmara. A opinião é compartilhada pela lÃder do PSB na Casa, Tereza Cristina (MS), que é da ala do partido ligada a Temer. "Temos de aprovar minimamente a idade mÃnima", disse. Já o lÃder do PR na Câmara, José Rocha (BA), diz que nem mesmo este ponto está pacificado.
Deputados do PSDB também avaliam nos bastidores que, com o agravamento da crise polÃtica, será preciso "enxugar" a reforma. Desde antes da delação da JBS, a bancada já defendia a flexibilização do texto aprovado pela comissão especial. O lÃder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), porém, afirmou que a ideia é tentar prosseguir com a proposta. "Estamos monitorando a cada dia, para saber a evolução do cenário. A situação é grave, mas não podemos transferir um problema de ordem judicial para a polÃtica macroeconômica."
Minirreforma
No Congresso, há também uma avaliação de que a opção da minirreforma "não é tão ruim", porque os efeitos da PEC já eram muito graduais, e o pente-fino que vem sendo feito nos pagamentos do auxÃlio-doença já dá, no curto prazo, uma contribuição maior para o caixa. Para os defensores dessa estratégia, não há tanto problema em esperar para fazer uma grande reforma em 2019, embora ela tenha de ser mais drástica.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pretende colocar a reforma da Previdência em votação no plenário da Casa entre 5 e 12 de junho. Interlocutores do parlamentar fluminense dizem, porém, que ele deu essa previsão apenas para fazer um aceno ao mercado financeiro de que a crise polÃtica não afetará as reformas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo