01/07/2021 18h00
Com crise política, taxas de juros fecham em alta e com inclinação da curva
Os juros futuros avançaram nesta quinta-feira de alta tensão na cena polÃtica. O mercado passou a precificar na curva do DI o risco de um processo de impeachment em meio ao escândalo de suposta corrupção na compra de vacinas contra a covid-19. O acirramento da crise acontece em meio a um processo de desgaste e perda de capital polÃtico por Jair Bolsonaro iniciado nos últimos meses. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram em alta mais pronunciada nos contratos intermediários e longos, o curtÃssimo encerrou com viés de alta, o que provocou aumento da inclinação da curva.
Sobre o impeachment, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou que o "superpedido não pode ser banalizado". O presidente da Câmara, Arthur Lira, disse, porém que não vê "materialidade" para levar adiante os pedidos de impedimento. Ele tem mais de cem pedidos em sua gaveta.
Na sessão regular, o DI para janeiro de 2022 fechou a 5,720%, ante 5,687% no ajuste de quarta. O DI para janeiro de 2023 encerrou a 7,12%, ante 7,07% no ajuste de quarta. O DI para janeiro de 2025 ficou em 8,17%, ante 8,07% no ajuste de quarta. O DI para janeiro de 2027 fechou a sessão regular a 8,61%, ante 8,49% no ajuste de quarta.
"Se o governo continuar se enfraquecendo, existe uma chance de o Centrão pular fora", afirmou Helena Veronese, economista-chefe da Consulenza.
Para ela, atualmente, em particular, o que penaliza os ativos é a CPI da Covid, seus desdobramentos, "se houve pagamento ou não de propina" e o que vai acontecer com o pedido de impeachment do presidente da República. Ela lembrou que, até surgirem as denúncias de corrupção e do superpedido de impeachment, a CPI trouxe novidades e questões polêmicas mas não estavam sendo precificadas pelo mercado.
Para ela, o principal risco para os preços dos ativos hoje é crise polÃtica no Brasil e o surgimento de novas variantes do coronavÃrus. A variante Delta, a mais presente nas novas contaminações nos Estados Unidos segundo notÃcia publicada nesta quinta, tem cobertura das vacinas, como pontuou Veronese. "Embora mais transmissÃvel, a Delta tem tido cobertura de vacinas com um alto porcentual de imunização", disse.
Para o operador da mesa de renda fixa de uma grande gestora de fundos, a rapidez com a que a variante Delta se dissemina pelos paÃses é preocupante. "É uma notÃcia que está pegando nos preços", comentou.
Sobre o leilão de tÃtulos do Tesouro Nacional, esse mesmo profissional considerou o resultado positivo, sobretudo na oferta de LFTs. "Achei muito bom que houve demanda para as LFTs longas", disse.
O mercado tem também no radar o desdobramento da reforma tributária. O presidente da Câmara afirmou que há chance de os projetos de lei serem aprovados antes do recesso parlamentar. As propostas levantaram crÃticas do empresariado e também de gestores de fundos, como do sócio-fundador da Perfin Investimentos, Ralph Rosenberg. "A proposta de reforma tributária é um absurdo completo. Não tem 'pé nem cabeça'. Imagino que não vai seguir adiante dessa forma", disse Rosenberg esta semana no programa de entrevistas Cabeça de Gestor do Broadcast, sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado.
Fonte: Estadão Conteúdo