20/05/2017 08h10
Com dívida bilionária e sem encomendas, estaleiro Enseada busca novos negócio
Sem encomendas e com uma dÃvida bilionária para pagar, a empresa Enseada Indústria Naval planeja explorar uma nova atividade na área onde está construÃdo o estaleiro Enseada Paraguaçu, no interior da Bahia. A ideia da empresa, que tem como sócia as empreiteiras envolvidas na Lava Jato Odebrecht, OAS e UTC, além da japonesa Kawasaki, é aproveitar a estrutura montada para construir navios - que custou R$ 2,7 bilhões - e criar um polo industrial e logÃstico.
"Já temos o ativo fÃsico, como o cais, guindastes, acesso e um terminal de uso privado licenciado, além das licenças ambientais de operação. Isso nos dá uma vantagem competitiva", afirma o presidente da empresa Fernando Barbosa. Segundo ele, esse terminal seria usado para a importação de combustÃveis, que hoje tem carência de infraestrutura em todo o Brasil.
Na Bahia, diz o executivo, os grandes terminais de lÃquidos são ocupados pela operação de refinaria e pelo polo petroquÃmico. Apesar da infraestrutura construÃda no local, a empresa ainda teria de investir em tancagem e ter autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A nova empreitada, no entanto, depende de negociações em andamento com um novo sócio, diz Barbosa. "A partir dessa definição, em um ano conseguirÃamos ser operacionais."
O executivo destaca, entretanto, que apesar da nova atividade, a estrutura do estaleiro será mantida, na esperança de uma reversão do cenário atual. O Enseada Paraguaçu está construÃdo numa pequena parte do terreno de 1,6 milhão de metros quadrados. Desse total, 300 mil m² é reserva ambiental e o restante está disponÃvel para novas construções.
Sem contratos
A busca por uma nova atividade tem o objetivo de rentabilizar o negócio da empresa, que teve um baque com a Operação Lava Jato e a crise da Petrobrás. A Enseada tinha contratos de US$ 4,8 bilhões com a Sete Brasil (empresa criada para intermediar a construção de sondas da Petrobrás para exploração do pré-sal) para construir seis navios sondas até 2020. Mas a Sete Brasil entrou em recuperação judicial e deixou de pagar, segundo Barbosa, R$ 1,7 bilhão para a empresa de serviços aprovados e medidos.
Quando a crise atingiu a empresa e o setor, o estaleiro estava com 82% das obras concluÃdas e consumido investimentos de R$ 2,7 bilhões. No total, o empreendimento custaria R$ 3,2 bilhões. Hoje, embora seja operacional, o estaleiro está parado, com apenas 90 trabalhadores responsáveis pela manutenção dos equipamentos.
Recuperação
Com uma dÃvida de R$ 1,2 bilhão, sem encomendas e sem caixa, a saÃda para a Enseada foi entrar com pedido de recuperação extrajudicial, em janeiro deste ano. "Diferentemente da recuperação judicial, no extrajudicial a gente já entra com um plano de trabalho aprovado por, no mÃnimo, 64% dos credores. E conseguimos isso", diz o presidente da empresa.
De acordo com o cronograma, a empresa teria um tempo para negociar com os credores restantes para aderir ou não ao plano. Após esse perÃodo, o juiz homologaria a recuperação da empresa. Até agora, no entanto, isso não ocorreu. A expectativa era que isso ocorreria entre esta semana e a próxima, afirma Barbosa.
Como o Enseada, outros estaleiros estão com problema no Brasil inteiro desde que a Operação Lava Jato foi deflagrada. As denúncias envolvendo as empreiteiras (sócias de boa parte dos estaleiros) e a Petrobrás respingaram na Sete Brasil, que parou de pagar os estaleiros. Além disso, a Petrobrás reviu todo o seu plano de investimento.
"Os estaleiros foram levantados com uma expectativa da Petrobrás de um cenário extremamente otimista. A realidade se mostrou diferente. Era um sonho que não tinha nenhum sentido. Hoje a expectativa é muito mais modesta", afirma Barbosa.
Fonte: Estadão Conteúdo