29/01/2022 09h40
Com dívidas de mais de US$ 40 bi, Argentina fecha acordo com o FMI
A Argentina fechou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a dÃvida de mais de US$ 40 bilhões que o paÃs tem com a entidade. Na manhã desta sexta-feira, 28, o presidente Alberto Fernández divulgou as informações iniciais, e no começo da tarde o órgão confirmou a decisão.
"O caminho fiscal combinado melhoraria de maneira gradual e sustentada as finanças públicas e reduziria o financiamento monetário", disse a entidade. O FMI destacou que o acordo permitirá elevar o gasto em infraestrutura e ciência e tecnologia, além de proteger "programas sociais focalizados".
"TÃnhamos um problema e agora temos a solução com o acordo", disse em comunicado o presidente da Argentina no Twitter. "Com esse acordo, podemos construir um futuro. Em comparação com acordos anteriores que a Argentina firmou, esse acordo não contempla restrições que atrasam o desenvolvimento. Não restringe, não limita e não condiciona os direitos recuperados em 2020", disse.
Sem cortes
Além disso, segundo Fernández, o acerto com o FMI não obriga o paÃs a fazer uma reforma trabalhista nem a chegar a um déficit zero. "Não haverá queda de gastos reais, e haverá um aumento de investimentos em obras públicas", afirmou. O presidente disse que o acordo será submetido ao Congresso para aprovação. O FMI e a Argentina ainda concordaram que uma estratégia para reduzir os subsÃdios à energia de maneira progressiva "será fundamental para melhorar a composição do gasto público".
PolÃcia monetária
Há ainda acordo sobre a implementação da polÃtica monetária "como parte de um enfoque múltiplo para enfrentar a elevada e persistente inflação". O marco tem como objetivo assegurar taxas de juros reais positivas para respaldar o financiamento interno e fortalecer a estabilidade, diz o texto.
O comunicado diz que também há acordo sobre o fato de que "o apoio financeiro adicional dos sócios internacionais da Argentina ajudaria a reforçar a resiliência externa do paÃs e seus esforços para assegurar um crescimento mais inclusivo e sustentável".
O pessoal técnico do Fundo e as autoridades argentinas continuarão seu trabalho nas próximas semanas, para chegar a um acordo em nÃvel de pessoal técnico. O acordo final estará sujeito à aprovação do diretório executivo do FMI, lembra a nota.
'AlÃvio'
A Capital Economics considerou que o anúncio "dará algum alÃvio aos detentores de bônus internacionais no curto prazo". Segundo a consultoria, porém, esse é "apenas o começo de uma longa jornada para reparar os desequilÃbrios macroeconômicos e ainda há muito que pode dar errado nos próximos anos".
A consultoria disse, em relatório a clientes, que esse é o 22.° acordo entre o paÃs e o Fundo. "A notÃcia deste novo acordo provavelmente dará algum alÃvio aos bônus soberanos em dólares da Argentina, bastante atingidos" recentemente, informou a consultoria.
PolÃtica fiscal 'moderadamente expansiva'
O ministro da Economia argentino, MartÃn Guzmán, afirmou que o acordo fechado com o FMI permitirá ao paÃs ter uma polÃtica fiscal "moderadamente expansiva". Em entrevista coletiva, ele disse que a iniciativa fará a Argentina "financiar a dÃvida, sem solapar a recuperação" econômica nem a geração de empregos.
Guzmán qualificou as negociações com o FMI como "realmente durÃssimas", diante da "magnitude do dano infligido à Argentina" pelo acordo anterior com o Fundo, fechado em 2018 pelo então presidente Mauricio Macri. Segundo o ministro, aceitar as demandas do acordo anterior "solaparia a chance de seguir no caminho do crescimento".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo