11/10/2022 07h10
'Com qualquer um que ganhar, será difícil para o País', diz Marcos Lisboa
Após o anúncio de que o economista Marcos Lisboa deixaria o comando do Insper, feito na noite de sexta-feira, as redes sociais petistas passaram a fervilhar com hipóteses de que o movimento estaria ligado à sua participação em um eventual novo governo Lula.
Ex-secretário de PolÃtica Econômica do Ministério da Fazenda entre 2003 e 2005, ele foi responsável por uma série de reformas microeconômicas durante o primeiro governo petista. Por algumas das mensagens, ele até já estaria conversando com os quadros da campanha petista. Lisboa, porém, nega. "Não existe qualquer conversa para fazer parte de um novo governo Lula, e nem acredito que haverá", afirma.
Lisboa, porém, diz estar preocupado com o Brasil. "Com qualquer um que ganhar (as eleições presidenciais), será difÃcil a médio prazo para o PaÃs", afirma ele. "BrasÃlia virou um lugar de concessão descontrolada de benefÃcios, o Congresso ganhou poder e, com um presidente fraco, tudo aquilo vai cobrar o preço dos últimos anos."
Apesar de dizer que os auxÃlios e algumas medidas podem resultar em soluços de crescimento, a falta de polÃticas de Estado amarradas não sustenta o movimento de alta do PIB no longo prazo. "É uma situação que veio para ficar", afirma. "Os paÃses só crescem por aumento de produtividade, e tudo o que vem sendo feito se dá na direção oposta."
PAÃS TRAVADO
Isso porque, diz ele, tem havido aumento de protecionismo e benefÃcios concedidos a setores escolhidos em função de interesses polÃticos imediatistas. "O taxista está gostando de ganhar uma mesada (por conta do auxÃlio do governo) e o setor de etanol está feliz, mas o PaÃs fica mais e mais travado", afirma. "Brasil, Argentina e México são casos patológicos nessa direção."
Em relação ao Insper, ele diz: "Agora é hora de passar a bola". Há dez anos na instituição, ele afirma que será a consolidação das transformações que implementou. Como a ideia é fazer uma sucessão transparente e sem percalços, sua saÃda foi anunciada num processo que está sendo conduzido pelo conselho da escola - e não tem prazo para terminar.
"Foi um perÃodo de crescimento, com novos cursos na graduação, consolidação do doutorado, do departamento de pesquisa, em um modelo de núcleos comuns de conhecimento que não tem similar na América Latina", diz. "Colocamos em operação no último ano um comitê acadêmico e um comitê executivo, e esse é um ciclo completado, agora com o desafio da sucessão." Após a escolha, ele continuará fazendo parte do comitê acadêmico, sem as obrigações executivas.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo