03/07/2020 15h30
Crédito aumenta, mas há arrefecimento nos últimos dados, diz diretora do BC
A diretora de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central (BC), Fernanda Nechio, afirmou nesta sexta-feira, 3, que o arrefecimento do crédito em 2020 e a concentração de recursos direcionados à s grandes empresas foram dois dos motivos que levaram a autoridade monetária a adotar medidas voltadas para o mercado de crédito durante a pandemia do novo coronavÃrus.
"A concessão cresce em 2020, mas percebemos pelos últimos dados que há um arrefecimento nesse aumento em relação a 2019. E esse é um dos motivos por trás do conjunto de medidas tentando direcionar o mercado de crédito", disse a diretora, em live organizada pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil.
Segundo ela, no Brasil, a concessão de crédito para empresas não financeiras cresce 23% em 2020 e avança 24% desde a décima primeira semana, no inÃcio da pandemia. Para famÃlias, os avanços foram de 10% e 6,9%, respectivamente.
Fernanda ressaltou também que, em 2019, a expansão do crédito foi impulsionada por pequenas e médias empresas, enquanto as grandes passaram a liderar esse processo em 2020, com a pandemia. "Também foi um dos motivos que nos levaram ao conjunto de medidas para o crédito", disse a diretora, em referência à intenção do BC em fazer os recursos chegarem às menores empresas.
Para ela, apesar de ser desafiador o processo de transmissão de polÃticas para o crédito, o Brasil tem sido rápido na implementação de medidas durante a crise, em comparação a outros paÃses. "Temos um esforço grande em ter uma implementação rápida, porque foi uma lição que os bancos centrais aprenderam em 2008", disse.
Copom
A diretora de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central afirmou também que a última decisão do Comitê de PolÃtica Monetária (Copom) é "compatÃvel com a resposta da polÃtica monetária ao combate à pandemia do covid-19".
A última decisão do Copom resultou em corte de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic, para 2,25%.
Segundo ela, contudo, há "um horizonte de grandes incertezas" para a tomada de decisão de polÃtica monetária, tanto para a recuperação da economia brasileira quanto para o futuro da polÃtica fiscal.
"Mesmo quando olhamos para paÃses desenvolvidos, há incerteza sobre a reversão da crise e os efeitos da reversão. Não sabemos por quanto tempo durará o perÃodo de restrição social, nem a velocidade da reversão da restrição. Estamos vendo uma melhora da economia, mas não sabemos como será à frente", disse a diretora, que ressaltou que há avanços nos últimos dados dos indicadores de atividade e confiança.
Ela destacou também que o futuro da trajetória fiscal do Brasil é uma fonte de incerteza para a autoridade monetária e ressaltou que há relação significativa entre o prêmio de risco dos paÃses e o nÃvel de endividamento na entrada da crise.
"Chile e Peru, por exemplo, começaram com enfrentamento da crise com uma posição muito mais baixa que outros paÃses. Vimos que a posição inicial do fiscal é muito importante", disse a diretora, que lembrou que, no Brasil, a agenda de reformas vindo sem bem encaminhada antes da crise.
Fonte: Estadão Conteúdo