18/09/2019 11h40
Cresce a proporção de lares sem qualquer renda proveniente do trabalho, diz Ipea
Durante os anos de recessão econômica e de crise no emprego, aumentou a proporção de lares brasileiros sem qualquer renda proveniente do trabalho, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). As famÃlias mais pobres ou simplesmente sem renda de trabalho representam mais da metade (52%) dos lares brasileiros.
No segundo trimestre de 2019, 22,4% dos domicÃlios do PaÃs não possuÃam renda do trabalho. No segundo trimestre de 2014, quando começou a crise econômica, essa fatia era de 19,0%.
Já as famÃlias de renda muito baixa, que recebiam menos de R$ 1.638,70 mensais, representavam 29,6% de todos os domicÃlios brasileiros no segundo trimestre deste ano.
Conforme o Ipea, houve elevação acentuada do Ãndice de Gini - medida de desigualdade de renda - desde 2016, com destaque para a desigualdade da renda do trabalho por domicÃlio.
O Ãndice de Gini da renda domiciliar do trabalho subiu de cerca de 0,514 no quarto trimestre de 2014 para 0,533 no mesmo trimestre de 2018, ficando relativamente estável em 0,532 no segundo trimestre de 2019, apontou o Ipea.
"Esse aumento do Gini se deve à retomada da ampliação da desigualdade entre os extremos da renda. De forma mais concreta, enquanto no primeiro trimestre de 2019 a renda domiciliar do trabalho da faixa de renda alta era 30,1 vezes maior que a da faixa de renda muito baixa, no segundo trimestre a renda domiciliar da faixa mais alta era 30,5 vezes maior, praticamente igualando o pico da série histórica (30,6) atingido no terceiro trimestre de 2018", ressaltou o Ipea na carta de Conjuntura sobre o mercado de trabalho divulgada nesta quarta-feira.
O levantamento do Ipea tem como base os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de DomicÃlios ContÃnua (Pnad ContÃnua, apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Os autores do estudo lembram que a grande maioria das novas vagas formais que têm sido geradas no PaÃs possui remuneração máxima de até dois salários mÃnimos. Apenas as duas primeiras faixas salariais - os empregos com remuneração de até um salário mÃnimo e de um a dois salários mÃnimos - vêm mantendo saldos positivos desde 2017.
"Para os demais nÃveis salariais, a dispensa de trabalhadores é maior que o total de admissões. Adicionalmente, nota-se que os efeitos da crise econômica sobre o mercado de trabalho, sobretudo em 2015 e 2016, geraram não apenas uma expressiva dispensa de trabalhadores como também uma queda dos salários de contratação, dado que a única faixa de emprego com saldo positivo no perÃodo era a que remunerava até 1,0 SM (salário mÃnimo). A partir de 2017, o paÃs voltou a gerar vagas com salários entre 1,01 e 2,0 SMs, no entanto em proporções mais modestas", notaram os autores Maria Andreia Lameiras, Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Sandro Carvalho, do Ipea.
Fonte: Estadão Conteúdo