22/03/2022 18h00
Declarações de Colnago aliviam percepção de risco fiscal e taxas de juros caem
O mercado de juros operou em duas etapas nesta terça-feira. Pela manhã, subiram com os agentes digerindo a ata do Copom e pressionadas pela curva dos Treasuries. A partir do meio da tarde, houve alÃvio consistente do trecho intermediário em diante, atribuÃdo à s sinalizações do Ministério da Economia de resistência à s investidas fiscais da área polÃtica em meio à escalada da inflação e dos preços dos combustÃveis. Quanto à ata do Copom, a leitura não foi consensual, nem alterou o quadro de apostas de Selic, tanto que as curtas oscilaram o dia todo perto dos ajustes.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 12,935%, de 12,932% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2024 caiu de 12,277% para 12,625%. O DI para janeiro de 2025 fechou com taxa na mÃnima de 12,06%, de 12,211% na segunda-feira. O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa de 11,87%, de 11,98%.
Na maior parte do dia, o mercado olhou para a polÃtica monetária, com a ata do Copom, e para o exterior, com a alta do rendimento dos Treasuries pressionando especialmente a ponta longa, a que mais viria a reagir no fim do dia à s declarações do secretário de Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago. Em entrevista para comentar o relatório bimestral de receitas e despesas, a postura de disciplina fiscal demonstrada pelo secretário soou como música aos ouvidos do mercado.
Na fala do secretário, a equipe da Renascença PolÃtica destaca a afirmação de que não há espaço no teto de gastos para aumentar o AuxÃlio Brasil e que o secretário considerou que hoje não há uma justificativa para a emissão de um crédito extraordinário, para turbinar o benefÃcio.
O secretário disse ainda que o momento é de "aguardar" o efeito das medidas já anunciadas para conter a alta de combustÃvel e não de adotar novas ações. "Não podemos adotar medidas desenfreadas, tem um custo para a sociedade. Gastos voltam para a sociedade, seja por alta de juros ou inflação", afirmou.
A pressão dos combustÃveis decorre essencialmente da escalada dos preços do petróleo, que nesta terça oscilaram marginalmente e acabaram em segundo plano. O foco no exterior foram os tÃtulos públicos americanos, com os yields das T-Notes de 2 e dez anos atingindo os maiores nÃveis desde 2019, por sua vez, afetados pelo aumento nas apostas de uma aceleração no ritmo de elevação do juro pelo Federal Reserve.
Por aqui, a ata do Copom não alterou significativamente o quadro de apostas para a Selic. Parte do mercado leu o documento como "dovish" e outra parte, como "hawkish", caso do Itaú Unibanco. A instituição elevou sua projeção para a Selic no fim do ciclo, de alta de 13% para 13,75% ao ano.
Na avaliação dos economistas do Banco Original, os cenários de inflação na ata voltam a deixar a decisão vinculada ao caminho do preço do petróleo. "Para a renda fixa, temos um BC dove, mas com uma maior correlação com o petróleo", disseram os profissionais.
Fonte: Estadão Conteúdo