15/10/2021 13h31
Déficit da balança do setor passa de US$ 40 bi em 12 meses, diz Abiquim
As importações de produtos quÃmicos de uso industrial chegaram a US$ 6,2 bilhões em setembro, fazendo com que o setor acumule um déficit de US$ 40,3 bilhões em 12 meses (outubro de 2020 a setembro de 2021). As exportações, por sua vez, têm permanecido estáveis, em nÃveis mensais bastante inferiores ao das importações, com vendas médias de US$ 1,2 bilhão, relativas à s expedições de 1,3 milhão de toneladas aos paÃses de destino das mercadorias nacionais. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pela Associação Brasileira da Indústria QuÃmica (Abiquim).
A associação diz que o momento é crÃtico para o setor. No acumulado do ano, até setembro, as compras de produtos quÃmicos vindos do exterior somam US$ 42,4 bilhões, um forte crescimento de 39,8% frente ao mesmo perÃodo de 2020, enquanto as vendas de produtos quÃmicos para o estrangeiro totalizaram US$ 10,2 bilhões, valor 23,6% superior ao registrado entre janeiro e setembro de 2020. Tais resultados acumulados produziram, no perÃodo, um déficit de US$ 32,2 bilhões, valor superior aos US$ 32 bilhões de 2013, até então maior déficit anual da história do acompanhamento da balança comercial pela Abiquim.
O presidente executivo da Abiquim, Ciro Marino, defende uma agenda de fortalecimento da competitividade focada em medidas pragmáticas de estÃmulo de curto prazo, como têm feito os principais players mundiais, além de reformas estruturais da economia brasileira atreladas a um sistema de defesa comercial técnico, isento e robusto.
Segundo ele, o PaÃs tem dependência externa em setores industriais estratégicos, como fertilizantes e produtos farmacêuticos, além da própria quÃmica. E cita também a insegurança jurÃdica causada pelo avanço assimétrico das polÃticas comerciais sem as contrapartidas necessárias para garantia do ambiente de negócios justo e leal.
"Nesse exato momento em que as principais economias estão reavaliando suas estruturas industriais e investindo bilhões de dólares para atrair investimentos que possam diminuir o risco de concentração de dependências externas em setores estratégicos, como a quÃmica, temos que ser pragmáticos e objetivos", comenta.
Marino afirma que o Plano Biden, nos EUA, de incentivo à capacidade industrial e tecnológica, o Plano Quinquenal da China e o New Deal Sul-coreano de investimentos e estÃmulos fiscais "são exemplos concretos daquilo que imediatamente temos que fazer pelo Brasil para voltarmos a ter condições de competir internacionalmente".
Fonte: Estadão Conteúdo