01/10/2021 11h10
Demanda e vendas internas de produtos químicos crescem em agosto, diz Abiquim
O Ãndice Abiquim-Fipe, que mede o comportamento do volume de vendas internas dos produtos quÃmicos de uso industrial, subiu 2,30% em agosto, enquanto o consumo aparente nacional (CAN), que mede a demanda, subiu 4,20%, ambos na comparação com o mês anterior. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pela Associação Brasileira da Indústria QuÃmica (Abiquim). De acordo com a entidade, essa melhora se dá especialmente em razão da manutenção da atividade econômica em patamares elevados em praticamente todas as cadeias demandantes de quÃmicos, além do perÃodo sazonal do terceiro trimestre, tipicamente o mais forte de todo o ano para o setor.
Por outro lado, o Ãndice de quantidade da produção recuou 0,69%, na comparação com o mês anterior, após ter crescido 5,64% em julho. Paradas programadas para manutenção, problemas operacionais e um incêndio em uma unidade de produtos quÃmicos marcaram o resultado negativo da média geral do IGQ-Produção de agosto.
Já o nÃvel de utilização da capacidade instalada ficou em 74% em agosto, dois pontos acima do mês anterior, mas quatro pontos abaixo do resultado de agosto do ano passado. Em relação ao Ãndice de preços, houve elevação de 1,27% em agosto, após deflação de 3,13% verificada em julho.
No acumulado de janeiro a agosto de 2021, sobre igual perÃodo do ano anterior, o Ãndice de produção apresenta alta de 7,44% e o de vendas internas de 6,35%. Por outro lado, a manutenção da demanda em nÃveis elevados também puxou as importações, que cresceram 15,2% de janeiro a agosto deste ano, contrastando com o volume de exportações, que exibiu recuo de 10,0% em igual perÃodo de comparação, ambas variações sobre os primeiros oito meses do ano anterior.
Levando-se em conta os resultados mencionados, o CAN teve elevação de 11,9% de janeiro a agosto, sobre iguais meses do ano passado, mantendo o ritmo acelerado da demanda, iniciado em meados de 2020. A participação do produto importado sobre a demanda local foi de 45% no perÃodo. A Abiquim destaca que a alta das importações também está refletida na elevação do déficit na balança comercial total de produtos quÃmicos, que alcançou US$ 27,24 bilhões nos primeiros oito meses deste ano, valor 41,7% maior do que o de igual perÃodo do ano anterior.
O uso da capacidade instalada ficou em 71% nos primeiros oito meses do ano, mesmo porcentual alcançado em iguais meses do ano passado. No que se refere ao Ãndice de preços, houve alta nominal de 41,66% no acumulado de janeiro a agosto deste ano.
Segundo a diretora de Economia e EstatÃstica da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, os preços dos produtos quÃmicos no mercado interno estão sendo impactados principalmente pelo mercado internacional, além de fortes pressões de custos internos, como elevação da tarifa de gás natural e de energia elétrica, encarecimento da logÃstica interna e sobretudo da internacional, com impacto também sobre as matérias-primas básicas, desvalorização do real em relação ao dólar, pandemia e cenário polÃtico.
Ela lembra que o PaÃs passa também pela pior crise hÃdrica dos últimos quase cem anos, com poucas chuvas nas áreas dos reservatórios, o que deve afetar cerca de 60% da geração de eletricidade no Brasil. No perÃodo recente, para manter as térmicas gerando ao potencial máximo de energia, o PaÃs elevou as importações de gás natural, em especial dos Estados Unidos, movimento que também tem sido observado por outros paÃses do continente americano, além de problemas com energia também na China, o que associado ao problema logÃstico internacional e a alta da demanda, tem refletido nos preços do GNL enviado à Europa e à Ãsia, que estão em nÃveis recordes.
"A fabricação de produtos quÃmicos de uso industrial é dependente de matérias-primas e de insumos energéticos, que atualmente se encontram com seus preços em patamares muito elevados no Brasil. A falta de competitividade e isonomia dos segmentos mais expostos ao mercado internacional e que trabalham com produtos que são transacionáveis é evidente e vem se acentuando nos últimos meses", afirma Fátima Giovanna.
Na comparação dos últimos 12 meses, de setembro de 2020 a agosto de 2021, sobre os 12 meses imediatamente anteriores, os Ãndices de produção e de vendas internas exibem variações positivas, mas com recuo em relação aos resultados anteriores: produção +8,38% (contra 8,61% nos 12 meses imediatamente anteriores) e vendas internas 9,84% (ante 12,55% nos 12 meses anteriores).
A parcela de exportações, com participação de cerca de 10% sobre o volume total produzido, caiu 16,1% nos últimos doze meses, até agosto de 2021, sobretudo pela prioridade dada ao atendimento do mercado interno, enquanto, em igual perÃodo, as importações cresceram 16,7%.
Fonte: Estadão Conteúdo