17/07/2018 18h11
Depoimento de Powell agrada e juros futuros fecham em baixa
Os juros futuros fecharam a sessão regular em queda nesta terça-feira, 17, tanto nos contratos de curto quanto nos de longo prazo, mas as taxas que mais recuaram foram as dos vencimentos do chamado "miolo da curva", que têm concentrado a liquidez. As taxas bateram mÃnimas na última hora, acompanhando o movimento do câmbio. O dólar à vista, que até o meio da tarde exibia baixa discreta, ampliou o ritmo e bateu mÃnimas, que levaram a moeda abaixo dos R$ 3,84, refletindo desmontagem de posições compradas no mercado futuro.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 encerrou em 6,715%, de 6,783% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2020 caiu de 8,20% para 8,08%. A taxa do DI para janeiro de 2021 terminou em 9,11%, de 9,18% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 10,57%, de 10,66%, e a do DI para janeiro de 2025 fechou em 10,25%, de 10,34%.
Mesmo antes das mÃnimas do dólar, os juros já se firmavam em queda desde o fim da manhã, determinada pela reação do mercado à s declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, durante sabatina no Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que mostrou uma visão otimista sobre o desempenho da atividade econômica, também sinalizou postura gradualista na condução do aperto monetário, argumentando que essa "é a única forma que temos para estender a expansão econômica". O dirigente disse que o mercado de trabalho em solo americano está forte, mas pelo crescimento moderado dos salários, não causa alta da inflação.
Na avaliação da economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Helena Veronese, o que mais agradou foi justamente a sinalização "de que a inflação está subindo por causa de combustÃveis e não por causa dos salários". "Isso reforça a leitura do gradualismo. Não que seja novidade, mas acaba fazendo preço num dia em que a agenda e o noticiário estão fracos", comentou. Segundo Helena, no entanto, a curva longa ainda preserva prêmios relacionados à s incertezas fiscais e com as eleições.
Nesta tarde, o Broadcast Ao Vivo Interativo entrevistou o economista Mauro Benevides Filho, responsável pelo capÃtulo econômico do programa de governo do pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes. Ele disse que, entre as propostas do pré-candidato está a recomposição fiscal do PaÃs, o estÃmulo ao investimento privado e a manutenção da regra de ouro, mas haverá remodelagem da PEC do teto dos gastos. Ainda afirmou que, de seis pontos do programa, cinco têm convergências com o chamado Centrão, e que num eventual governo Ciro o Banco Central continuará com independência operacional.
Nos demais ativos, o dólar fechou em queda de 0,46%, aos R$ 3,8450. Na mÃnima, chegou a R$ 3,8389.
Fonte: Estadão Conteúdo