01/12/2017 07h10
Desemprego levará 2 anos para voltar à taxa de 2016
O Brasil ainda vai levar pelo menos dois anos para voltar a ter uma taxa de desemprego de um dÃgito, segundo estimam economistas. No trimestre encerrado em outubro, a desocupação no PaÃs ficou em 12,2%, pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de DomicÃlios ContÃnua (Pnad ContÃnua), divulgada ontem. O resultado é melhor que o do mês anterior, mas ainda está distante do patamar anterior à crise.
O Ãndice de desocupação, medido pela Pnad ContÃnua, está em dois dÃgitos desde o trimestre encerrado em fevereiro de 2016, quanto atingiu 10,2%. Em janeiro, a taxa era de 9,5%. Um estudo feito pela consultoria Schwartsman e Associados mostra que, para cada crescimento de um ponto porcentual acima do PIB potencial (o quanto o PaÃs pode crescer com as condições já existentes na economia), o desemprego medido pela Pnad ContÃnua responde caindo 0,5 ponto. O PIB potencial do PaÃs é estimado pela consultoria em 2% por ano.
O estudo aponta que seria preciso o PaÃs crescer 7% no ano que vem para que a taxa de desocupação ficasse abaixo de 10% já em 2018. A previsão mais otimista, porém, é ele crescer 3,5%. "A sensação térmica da economia é medida pelo emprego. O PaÃs voltou a crescer, mas isso não significa que esteja tudo bem", diz o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central. "O impacto dos últimos anos é catastrófico. Ainda não temos certeza de quanto o PaÃs vai crescer daqui para frente, mas o desemprego só deve ficar abaixo de 10% se a evolução do PIB for parruda. Se o Brasil crescer só razoavelmente, na casa dos 3%, o desemprego só voltará a um dÃgito em 2020", diz.
Luiz Castelli, da consultoria GO Associados, concorda que, apesar da evolução mais favorável do mercado de trabalho e das perspectivas positivas para a economia brasileira, a taxa de desemprego pode descer a um dÃgito somente em dois ou três anos. Segundo ele, o movimento de geração de vagas é consistente com a recuperação gradual da economia, mas ainda há riscos de que a retomada seja prejudicada por incertezas polÃticas no ano que vem.
"O último trimestre do ano que vem será mais difÃcil de prever, pois teremos os efeitos da eleição. Não sabemos se haverá algum estresse. Ou seja, as dúvidas no campo polÃtico podem limitar o número de novas contratações", alertou Castelli. O economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, diz que a resistência do desemprego em um patamar elevado deve interferir nos discursos eleitorais. "Por mais que a inflação esteja controlada e que o PaÃs tenha saÃdo da recessão, esses conceitos são difusos para a população. As discussões de polÃtica econômica de 2018 devem ter a geração de emprego como mensagem subliminar." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo