11/12/2017 14h30
Discussão da reforma já impacta setor privado, diz presidente da Brasilprev
A discussão em torno da reforma da aposentadoria social tem impactado o setor de previdência complementar, de acordo com o presidente da Brasilprev, Paulo Valle. "O ganho principal da discussão da reforma da Previdência é o entendimento de que a questão da aposentadoria não é só um problema do Brasil e que a aposentadoria social não é sustentável", destacou ele, em almoço com a imprensa, nesta tarde.
Pesquisas mostram, segundo o executivo, que a maioria das empresas já têm conscientização sobre a necessidade de fazer uma previdência privada para fazer frente à s necessidades da aposentadoria. Além disso, ele, que foi subsecretário de DÃvida Pública do Tesouro Nacional por cerca de dez anos, frisou a importância da reforma para equilibrar a situação fiscal do PaÃs.
Questionado sobre se a reforma da Previdência passa hoje, Valle disse que se o governo não conseguir votos para emplacar a mudança agora, terá de fazer em um futuro bem breve, no próximo ano ou talvez no inÃcio do próximo governo. Isso porque, conforme ele, a questão previdenciária é urgente no mundo e o Brasil está atrasado em algumas questões como, por exemplo, na questão da idade, sendo um dos poucos paÃses em que a aposentadoria social se dá abaixo dos 60 anos.
O presidente da Brasilprev defende ainda uma regulação no setor mais voltada para a economia comportamental. "Seria um empurrão para as pessoas fazerem um plano", disse ele, mencionando a adesão automática dos colaboradores nos contratos corporativos, com aumento gradual conforme o salário de cada.
Para capturar os benefÃcios das discussões em torno da reforma da Previdência Social, a Brasilprev, de acordo com Valle, intensificou ações na direção da formação da cultura previdenciária, aproveitando-se dos canais digitais. "Pagar a aposentadoria da próxima geração num mundo em que as pessoas estão vivendo mais e tendo menos filhos é insustentável", destacou o executivo.
Selic menor
O principal tema deste ano para o setor de previdência privada, segundo o presidente da Brasilprev, foi a queda dos juros que deu uma dinâmica diferente aos investimentos uma vez que a companhia investe suas reservas para fazer frente aos pagamentos futuros. "A queda dos juros mudou bastante os investimentos e, por isso, criamos uma nova famÃlia de fundos. Devemos ter o maior perÃodo de cenário de juros baixos já visto no Brasil", acrescentou Valle.
A Brasilprev, que tem como sócios a BB Seguridade - holding de seguros do Banco do Brasil - e a americana Principal, soma R$ 231 bilhões em ativos, conforme dados até outubro, com participação de 30,1% do mercado. Já a captação lÃquida de recursos, diferença de entrada e saÃdas, foi de R$ 16,4 bilhões no acumulado deste ano até novembro, o que lhe garante market share de 33,4% do segmento de previdência complementar.
Novos fundos
A Brasilprev, que tem a BB Seguridade e a americana Principal como sócios, já levantou R$ 3 bilhões com a nova famÃlia de fundos que lançou em meados de setembro para fazer frente à queda dos juros, de acordo Paulo Valle. O montante, de acordo com a empresa, equivale a uma captação bruta diária de mais de R$ 60 milhões.
"O volume está em linha com o que planejamos, mas deve crescer, em meio à ampliação da oferta dos novos planos para a base do Banco do Brasil", explicou o presidente da Brasilprev, em conversa com a imprensa.
A nova famÃlia abrange fundos de renda fixa de longo prazo e multimercados com estratégias diferenciadas, como de investimentos no exterior.
Por ora, somente os clientes dos segmentos Estilo, com renda a partir de R$ 10 mil ou cerca de R$ 150 mil em investimentos, e Private, a partir de R$ 2 milhões em investimentos, têm acesso a esses produtos.
A expectativa da Brasilprev, de acordo com Guilherme Rossi, superintende comercial da companhia, é de que, no inÃcio do ano que vem, os novos fundos estejam disponÃveis para toda a base potencial do Banco do Brasil.
Atualmente, o BB soma 65,7 milhões de clientes que têm algum relacionamento com o banco. Desses, 36,6 milhões são correntistas, dos quais em torno de 2 milhões têm um plano de previdência privada com a Brasilprev, respondendo por 5,5% da base.
Fonte: Estadão Conteúdo