01/04/2020 09h50
Dólar segue forte com cautela externa e local neste 1º de abril
O dólar segue em alta ante o real, alinhado à valorização registrada no exterior. Pesam no sentimento dos investidores a perspectiva de disparada do coronavÃrus nos EUA nas próximas semanas e a nova subida de tom do presidente Jair Bolsonaro contra governadores e prefeitos no Twitter na manhã desta quarta-feira, 1º de abril, após ter adotado tom moderado em pronunciamento na terça à noite, que foi acompanhado por panelaços por todo o PaÃs durante sua fala.
Além disso, o bate-boca entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reforça o mau humor interno com a lentidão do governo em pagar o auxÃlio de R$ 600 a informais, titulares de contratos intermitentes e microempreendedores individuais, e também viabilizar o repasse do crédito de R$ 40 bilhões prometido para a folha salarial de pequenos e médios comerciantes.
Bolsonaro volta a criticar medidas restritivas para comércio e circulação de pessoas na rede social. Ele publicou um vÃdeo de um homem que apontava o desabastecimento no Ceasa, em Belo Horizonte, dizendo que "a culpa é dos governadores", que, segundo ele, querem "ganhar nome e projeção polÃtica a custa do sofrimento da população".
Está no radar ainda a ameaça de um dos lÃderes dos caminhoneiros, Wallace Landim, de que a categoria deve parar, caso os governadores não recuem nas medidas preventivas para conter o novo coronavÃrus nos Estados, o que pode piorar o quadro de recessão esperada no PaÃs.
Também repercute no câmbio, a entrevista do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, à CNN Brasil, na terça à noite. Ele reafirmou que o câmbio é flutuante, que não é interessante para a autarquia defender um nÃvel para o dólar, e que a Selic (a taxa básica de juros) é um instrumento para a polÃtica monetária.
Campos Neto lembrou que, atualmente, o BC tem um arsenal "muito grande" para atuar no mercado de câmbio, quando necessário, além de uma linha de US$ 60 bilhões com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano). "Desde o dia 21 de fevereiro (quando a pandemia do novo coronavÃrus se intensificou), o real tem oscilado conforme moedas de paÃses emergentes", acrescentou, sem mencionar influências de ruÃdos polÃticos internos. Neste 1º de abril, o BC começa a rolagem integral dos contratos de swap a vencer em 4 de maio de 2020, à s 11h30.
Os dados fracos da produção industrial do PaÃs em fevereiro já eram esperados e ficam em segundo plano, de acordo com um operador do mercado, uma vez que há maior expectativa pelo dado de março, que poderá refletir o impacto do isolamento social na economia interna por causa do coronavÃrus.
Nos Estados Unidos, o corte de 27 mil empregos pelo setor privado em março ficou bem abaixo da previsão (-125 mil), elevando expectativas pelo relatório payroll na sexta-feira, que inclui também os dados do setor publico. Ainda assim, os futuros de Nova York sustentam quedas ao redor de 3% e o dólar segue firme ante divisas pares e emergentes ligadas a commodities.
Às 9h22, o dólar à vista subia 0,93%, a R$ 5,2451. O dólar futuro de maio avançava 0,77%, a R$ 5,2535.
Fonte: Estadão Conteúdo