27/07/2017 19h00
Dólar tem ajuste e fecha em alta com exterior e cautela com situação fiscal
O dólar fechou em alta em dia de ajuste, nesta quinta-feira, 27, após a queda acentuada na sessão de ontem, acompanhando o movimento no exterior, pautado ainda por cautela interna diante da questão fiscal do PaÃs, com os investidores se preparando para a volta do recesso parlamentar.
No mercado à vista, o dólar terminou em alta de 0,29%, aos R$ 3,1528. O giro financeiro somou US$ 2,07 bilhões. Na mÃnima, a moeda ficou em R$ 3,1424 (-0,04%) e, na máxima, aos R$ 3,1594 (+0,49%).
Após a queda generalizada do dólar na sessão anterior, refletindo a afirmação do Federal Reserve (Fed) de que começará a redução de seu balanço patrimonial "relativamente em breve", o dólar encontrou espaço para subir. "O dólar atingiu um patamar ontem que abriu oportunidade de compra para quem tinha obrigações em moeda estrangeira", disse o gerente de mesa de câmbio do banco Ourinvest, Bruno Foresti, acrescentando que, com os juros dos Treasuries em alta, a pressão de fluxo de saÃda do PaÃs aumentou.
O diretor de câmbio da Abrão Filho, Fernando Oliveira, observou também cautela com o cenário interno, principalmente em torno da possibilidade de aumento do déficit da meta fiscal. "O mercado está vendo que não adianta fazer PDV (Programa de Demissão Voluntária) ou ajustes menores se não atacar o principal problema, que é a reforma da Previdência." Segundo ele, já se admite uma elevação de R$ 20 bilhões no déficit fiscal. "Nos últimos 12 meses, o governo registrou déficit de R$ 182 bilhões, muito acima da atual meta de déficit de R$ 139 bilhões. O aumento do PIS/Cofins sobre os combustÃveis acrescentará R$ 10 bilhões e devemos ter o mesmo valor com outros cortes do governo. Mas ainda faltarão R$ 20 bilhões para fechar a conta", explicou o diretor.
Os especialistas de mercado atribuÃram também a valorização do dólar ao compasso de espera dos investidores com a volta do recesso parlamentar (01/08) e, em seguida, votação da denúncia contra o presidente Michel Temer no plenário da Câmara, dia 2 de agosto. "Além do imbróglio polÃtico com a falta de consenso e de quórum em torno dos aliados de Temer, será importante observar que, caso a denúncia seja rejeitada, qual foi a margem. Se a margem for pequena, abre brecha para a aprovação de uma segunda denúncia e, assim, o enfraquecimento do governo", pontuou Oliveira, da Abrão Filho.
Entre os fatores que limitaram a alta da divisa americana esteve o avanço do petróleo, que em uma semana já acumula alta superior a 4%, e a vitória do governo ontem em conseguir derrubar a liminar que suspendia o aumento dos tributos sobre os combustÃveis.
No mercado futuro, o dólar para agosto subiu 0,46%, aos R$ 3,1550. O volume financeiro movimentado somou US$ 14,50 bilhões. Durante o pregão, a divisa oscilou de R$ 3,1385 (-0,06%) a R$ 3,1610 (+0,65%).
Fonte: Estadão Conteúdo