28/02/2018 17h30
Dos 6 países solicitando adesão à OCDE, Brasil é melhor posicionado, diz Gurría
Dos seis paÃses candidatos a ingressar como sócio na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o mais bem posicionado. Foi o que afirmou nesta quarta-feira, 28, o secretário-geral do organismo, Angel GurrÃa. Os outros candidatos são Argentina, Bulgária, Romênia, Peru e Croácia.
O Brasil apresentou sua candidatura a ingressar como membro do organismo em maio do ano passado. Até o momento, não recebeu sinal verde. Nos bastidores, essa demora é atribuÃda à resistência dos Estados Unidos em expandir a instituição.
As decisões na OCDE precisam ser tomadas por unanimidade. Segundo GurrÃa, todos os membros estão interessados em expandir a organização.
A vantagem do Brasil se deve ao fato que o PaÃs já participa de alguns comitês da OCDE há mais de duas décadas. O primeiro grupo ao qual o Brasil se associou foi o do aço, em 1996. Hoje, já participa de 25 comitês, mesmo não sendo membro do organismo. Além disso, o Brasil já aderiu a 35 instrumentos do organismo e solicitou adesão a outros 70. Em pouco tempo, destacou GurrÃa, o Brasil será parceiro da OCDE em mais de 100 instrumentos.
Esse trabalho de adesão a instrumentos faz parte do processo de ingresso dos paÃses na OCDE. O processo de adesão leva de três a cinco anos, disse GurrÃa. Depende da possibilidade de cada paÃs fazer as mudanças necessárias para alinhar suas polÃticas à s da instituição. Nesse processo, explicou ele, os comitês temáticos da OCDE podem pedir para avaliar o paÃs candidato. No caso do Brasil, dada a diversidade de sua economia, todos os comitês querem dialogar.
A afirmação que o Brasil é o mais bem posicionado dos candidatos foi destacada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Para ele, o ingresso na instituição é um passo "decisivo" no processo de modernização da economia brasileira.
Ele disse que o Brasil não esperava uma resposta rápida a sua candidatura, uma vez que os processos de adesão demoram dois anos ou mais. "A candidatura de um paÃs como o Brasil, grande, relevante, altera estruturas", comentou. Aceito, será o único paÃs membro, ao mesmo tempo, da OCDE, dos Brics e do G-20. "Do nosso ponto de vista, (a candidatura) está indo muito bem."
O ingresso na OCDE implica um processo de negociação, de padronização de normas, disse Meirelles. Um exemplo é a tributação sobre preço de transferência, que serão objeto de um trabalho conjunto da Receita Federal e do organismo multilateral em busca de uma maior convergência. "O Brasil precisa avançar nesse processo de tributação de lucros", disse o ministro.
Ele citou outras iniciativas em andamento no mesmo campo, como a reforma do PIS-Cofins e as discussões sobre uma simplificação do sistema tributário. "A ideia é tributar de forma cada vez mais eficiente e melhor."
Fonte: Estadão Conteúdo