16/05/2017 09h06
Dívida previdenciária atinge 67% dos municípios
Um quarto dos municÃpios que têm dÃvida previdenciária estão inadimplentes com os parcelamentos, segundo levantamento da Confederação Nacional dos MunicÃpios (CNM) obtido com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo. Esses gestores aguardam hoje do governo federal o anúncio de um novo parcelamento desses débitos. O passivo das prefeituras no INSS soma R$ 75 bilhões segundo cálculos recentes.
De acordo com a pesquisa, 67,4% das prefeituras têm dÃvidas previdenciárias. O levantamento obteve respostas de 2,6 mil dos 5,5 mil municÃpios do PaÃs. Nesse universo a inadimplência chega a quase 25%, ou seja, atinge 396 prefeituras.
MunicÃpios "negativados" não podem receber recursos das emendas voluntárias apresentadas por parlamentares, ainda que o deputado ou senador daquela localidade tenha garantido a disponibilidade dos valores no Orçamento.
"Os municÃpios não têm como pagar essa dÃvida", diz o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. Ele reconhece, porém, que o parcelamento será uma solução passageira - suficiente apenas para que os prefeitos consigam os certificados e, consequentemente, recebam as emendas. "É um alÃvio de momento, em cinco ou seis meses essas parcelas já não estão sendo pagas, também. É a realidade dos municÃpios", afirma.
Ziulkoski se reuniu no domingo com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para debater o novo parcelamento. Ele também discutiu a possibilidade de alterar a forma de distribuição do ISS cobrado sobre operações com cartões e de leasing. A ideia, segundo ele, seria alterar a tributação da origem para o destino. Como é hoje, os pagamentos são feitos aos municÃpios que são sede dessas operadoras, ou seja, concentrados em poucas prefeituras. A mudança teria como resultado a difusão desses recursos para um número maior de municÃpios.
O presidente da CNM disse que o que está em estudo é a derrubada do veto de Michel Temer a um trecho da Lei Complementar 157/2016, que já previa a mudança no ISS.
As dificuldades dos municÃpios vão além da questão previdenciária. Segundo a CNM, 59,2% dos gestores que assumiram o mandato este ano relatam que a administração começou em situação ruim ou péssima. Metade das prefeituras ouvidas tem dÃvidas com fornecedores, com atraso médio de 7 meses. Pelo menos 250 municÃpios admitem inadimplência no pagamento de salários de servidores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo