17/05/2021 13h10
Economia surpreende e leva a revisão de projeções do PIB para este ano
O recrudescimento da pandemia no inÃcio do ano afetou menos a atividade econômica do que o previsto inicialmente, provocando uma onda de revisões para cima nas projeções para o desempenho do PIB em 2021. Elevaram suas estimativas as corretoras XP e Ativa, os bancos de investimento Credit Suisse, UBS, Bank of America e Goldman Sachs e as consultorias MB Associados e Parallaxis Economics, entre outros. Na média, as projeções de crescimento passaram de 3,2%, em abril, para 3,8% agora, conforme levantamento do Estadão/Broadcast, com 35 instituições.
Segundo economistas, os indicadores do primeiro trimestre indicaram que o isolamento social para conter a covid-19 não foi tão rÃgido quanto no inÃcio da crise sanitária, em 2020 - seja porque as medidas restritivas foram mais brandas seja porque as pessoas cumpriram menos as regras. Segundo epidemiologistas, o afrouxamento das medidas de proteção ajudaram a elevar o número de mortos pela pandemia para mais de 430 mil.
Embora ainda haja incertezas sobre o futuro da economia, especialmente por causa de eventuais problemas na vacinação, ficaram para trás as previsões de recessão, ou seja, de dois trimestres seguidos de retração nesta primeira metade do ano, presente em algumas análises no inÃcio de 2021.
"A expectativa, no inÃcio do ano, era que, diante da segunda onda da pandemia, precisarÃamos ter um grau maior de restrição à mobilidade e que o fim do primeiro trimestre e o inÃcio do segundo seriam bastante afetados", disse o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. "Mas isso acabou não acontecendo. A população não fez o isolamento social como se imaginava." A MB Associados elevou a projeção de crescimento para este ano de 2,60% para 3,20%.
Resiliência e vacinação
Na última segunda-feira, ao comentar a elevação de sua projeção para um crescimento econômico de 4,1% este ano, contra 3,2% na estimativa anterior, o economista-chefe da XP, Caio Megale, disse que, "apesar da vacinação turbulenta e incerta", no inÃcio do ano, "a demanda interna se mostrou muito mais resiliente ao fim do auxÃlio emergencial e em meio à segunda onda da covid-19 do que se esperava".
Na visão do economista-chefe da gestora de recursos Trafalgar Investimentos, Guilherme Loureiro, as projeções mais pessimistas também davam muito peso ao impacto do fim do auxÃlio emergencial no inÃcio do ano. A transferência de renda turbinou a recuperação no segundo semestre de 2020. Sua retirada no inÃcio de ano, enquanto a reedição da medida era discutida no governo e no Congresso, provocaria queda na atividade econômica.
"Não pensávamos assim, nossa cabeça sempre esteve calcada no processo de reabertura", disse o economista da Trafalgar, que já estava com uma projeção de crescimento de 4,2% este ano. Com os indicadores mais recentes, Loureiro elevou a estimativa para 4,5%.
Para Vale, da MB Associados, os brasileiros circularam mais em meio ao agravamento da pandemia, em parte, porque foram "forçados" a isso - já que as medidas do governo para apoiar famÃlias e empresas foram mais escassas - e, em parte, porque estão "esgarçados" com a duração da crise.
No inÃcio, as pessoas aceitaram ficar em casa e os empresários decidiram fechar as portas porque a situação era nova e apostavam que as restrições durariam menos. Agora, as empresas tiveram menos condições para aguentar fechamentos, assim como muitos trabalhadores, com o orçamento apertado, precisaram sair em busca de sustento.
Além disso, a demora do governo em reeditar medidas para apoiar famÃlias e empresas tem efeito ambivalente, disse Vale. O cenário é diferente de paÃses como Estados Unidos, Inglaterra e China, em que a redução das restrições aponta para uma recuperação mais vigorosa porque a covid-19 está sendo controlada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo