11/11/2021 15h40
Efeitos de atual ciclo da Selic serão vistos ao longo de 2022, diz diretora do BC
A diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Fernanda Guardado, disse nesta quinta-feira que os efeitos do atual ciclo de alta da Selic serão sentidos pela economia ao longo do próximo ano. Desde março, o BC já elevou a taxa de básica de juros em seis ocasiões, partido de 2,00% ao ano para os atuais 7,75% ao ano.
"Eu tendo a concordar que o grosso do impacto do atual processo se dará em meados de 2022. No primeiro semestre e ao longo de 2022 vamos começar a ver os impactos mais fortes", afirmou Fernanda, em participação no Itaú Macro Vision 2021.
Ela lembrou que alguns canais reagem mais rapidamente à s decisões do Comitê de PolÃtica Monetária (Copom), como os financiamentos imobiliários e mudanças na alocação de investimentos. "Mas boa parte dos impactos de todo esse aperto que fizemos desde março e que sinalizamos para dezembro vai ocorrer ao longo de 2022 e em 2023, em parte", acrescentou.
Fernanda Guardado concordou ainda com a avaliação de que a polÃtica monetária parece ser mais robusta hoje do que foi no passado, devido até mesmo ao maior aprofundamento financeiro da economia brasileira.
Retirada de estÃmulos
A diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central destacou também que os paÃses avançados já começam a retirar estÃmulos, em função da aceleração rápida da inflação. Citou o anúncio do tapering do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que começa neste mês, assim como movimentações no Canadá e na Noruega.
Segundo a diretora do BC, a inflação nos paÃses avançados reflete os custos industriais em alta. Guardado destacou o aumento do consumo de bens no mundo e avaliou que a oferta de energia também não tem respondido à demanda na mesma velocidade.
Ela citou alta de preços de carvão, gás natural e petróleo. "A produção de petróleo cru está próximo de antes da pandemia. Mas a produção do petróleo não teve capacidade de reagir na velocidade da demanda."
Depreciação cambial
A diretora do Banco Central voltou a destacar que o comportamento do câmbio não tem andado junto com o aumento dos termos de troca, ficando mais depreciado do que indicariam esses fundamentos. Mas ela avaliou que essa falta de correlação pode diminuir com a normalização da polÃtica monetária. "Depreciação do câmbio não foi a tradicional, há quebra na relação com termos de troca em vários lugares", disse, citando que o fenômeno ocorreu em outros exportadores de commodities.
Segundo a diretora do BC, uma das hipóteses para essa descorrelação seria a deterioração fiscal com a pandemia de covid-19 em vários paÃses. Mas ponderou que há outras teses e que não "saberia escolher uma única hipótese para entender o câmbio de paÃses exportadores de commodities".
Fernanda Guardado afirmou, contudo, que isso não altera o modus operandi do BC no mercado de câmbio. "Não mudamos a maneira de atuar no mercado de câmbio. Só atuamos em cenários de fluxo que não consegue ser digerido por mercado, ou quando há disfuncionalidade."
Fonte: Estadão Conteúdo