03/11/2021 08h11
Em embate com a Hasbro, Estrela pode ter de destruir brinquedos
Depois de quase 15 anos de disputa na Justiça com a americana Hasbro, a tradicional fabricante brasileira de brinquedos Estrela pode ter de retirar produtos das prateleiras das lojas às vésperas do Natal.
Na semana passada, o desembargador Rui Cascaldi, do Tribunal de Justiça de São Paulo, manteve decisão de primeira instância que determinou não só a retirada, mas o fim da comercialização e a destruição de estoque de brinquedos que são sucesso de vendas, como as massinhas Super Massa. Já os brinquedos Dr. Trata Dentes, Genius e os jogos Detetive, Cara a Cara, Jogo da Vida e Combate estão na lista dos que saem das prateleiras.
A Estrela terá ainda de devolver os registros de propriedade industrial dos brinquedos da Hasbro e pagar os royalties devidos para a empresa pelo uso, sem autorização, de propriedade intelectual desde 2007. A dÃvida da Estrela com a Hasbro ultrapassaria R$ 64 milhões, de acordo com a decisão do TJ obtida pelo Estadão/Broadcast.
Embora haja ainda espaço para mais discussões no Judiciário, a decisão do desembargador tem de ser cumprida. A Estrela manteve contrato de licenciamento com a Hasbro até 2007, quando a empresa americana abriu uma subsidiária no Brasil. No ano passado, a Justiça já tinha determinado que a Estrela depositasse à Hasbro royalties, em uma conta judicial.
DERROCADA
Fundada no fim de 1930, a Estrela foi por anos uma das marcas mais fortes do Brasil. Mergulhou numa séria crise com abertura do PaÃs à s importações, na década de 1990, quando as lojas locais foram inundadas por brinquedos de fora, principalmente da China, mais baratos que os fabricados nacionalmente. Como reflexo da crise, em 2015 o controlador da Estrela, Carlos Tilkian, decidiu fechar o capital da empresa na Bolsa, onde estava desde 1968.
A disputa judicial diz respeito a um contrato firmado em 2003. De acordo com a Hasbro, a Estrela começou a ficar inadimplente em 2007. A Estrela alega que a Hasbro rompeu o contrato e não a indenizou por ter desenvolvido o mercado para suas marcas no Brasil. A Estrela entende que, ao romper o contrato, a Hasbro perdeu o direito sobre a venda dos brinquedos no Brasil, que não foram mais produzidos com imagens idênticas.
A defesa da Hasbro, representada por Solano de Camargo, sócio da Lee, Brock, Camargo Advogados, diz nos autos que a Estrela explorou ilegalmente algumas marcas da Hasbro em relação a produtos licenciados para a Brinquemolde, sociedade da qual é a principal cotista.
Procurado, o advogado da Hasbro não comentou. A Estrela informou que vai recorrer da decisão.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo