28/11/2019 08h10
Estados podem terceirizar benefícios
O governo negocia com parlamentares uma permissão para que Estados e municÃpios "terceirizem" a gestão de aposentadorias por invalidez e pensões por morte diretas (decorrentes de falecimento de servidor ativo), os chamados "benefÃcios de risco".
A ideia é permitir que os regimes próprios de Previdência dos servidores possam contratar seguradoras privadas, por meio de licitação, para fazer os pagamentos e até mesmo as perÃcias que decidirão se o segurado tem ou não direito ao benefÃcio.
A terceirização seria opcional e poderia beneficiar sobretudo pequenos municÃpios que têm regime próprio de servidores, mas não possuem estrutura adequada para avaliar os trabalhadores na hora de conceder o benefÃcio.
A proposta deve integrar a chamada Lei de Responsabilidade Previdenciária (LRP), que deve ser apresentada na semana que vem pelo deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e pretende incentivar Estados e municÃpios a manter regimes equilibrados de Previdência.
Hoje, o custo com a cobertura dos benefÃcios de risco já é embutido no cálculo das alÃquotas previdenciárias cobradas dos servidores. Pela proposta, a cobrança continuará sendo feita pelo governo estadual ou municipal, mas o valor arrecadado seria usado para pagar a seguradora.
Os regimes próprios, por sua vez, manteriam a responsabilidade sobre a concessão de aposentadorias e pensões por morte derivadas do falecimento de servidor já aposentado.
Esse modelo já é adotado em regimes de previdência complementar. A proposta valeria apenas para regimes próprios, sem aplicação sobre os benefÃcios de risco bancados pelo INSS. Atualmente, mais da metade das prefeituras não têm regimes próprios, ou seja, seus servidores contribuem para o regime geral da Previdência.
Liberdade
Os Estados e municÃpios teriam liberdade para definir o que seria terceirizado: só a operacionalização do pagamento dos benefÃcios ou também a realização da perÃcia. A avaliação no governo, segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo/Broadcast, é que o "pacote completo" poderia baratear o custo do seguro, pois a própria empresa privada realizaria as perÃcias e teria mais elementos para calcular os riscos e o fluxo de pagamentos.
Com a atribuição de fazer as perÃcias, a empresa poderia encaminhar servidores para readaptação e até pagar pelo treinamento em vez de simplesmente aposentá-lo por invalidez, como à s vezes acontece nos regimes próprios quando um funcionário público é afastado do trabalho por incapacidade. A avaliação é de que isso sairia mais barato do que pagar o benefÃcio vitalÃcio.
Um professor que passe a sofrer com sÃndrome do pânico, por exemplo, precisaria ser afastado definitivamente das salas de aula. Mas a seguradora poderia encaminhá-lo para a requalificação, recomendando ao municÃpio o aproveitamento do funcionário em outro setor.
A proposta não prevê a terceirização do pagamento de auxÃlio-doença, uma vez que a reforma da Previdência aprovada e já em vigor mudou o pagamento desse benefÃcio nos regimes próprios estaduais e municipais.
Segundo apurou o Broadcast/O Estado de S. Paulo, a proposta deve ser discutida esta semana com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com representantes dos municÃpios.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo