19/11/2021 15h10
Estímulos do Fed na pandemia mantiveram fluxo de recursos a combustíveis fósseis
Os maiores bancos e investidores do mundo recentemente se comprometeram na COP-26, a conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) realizada na cidade escocesa de Glasgow, a restringir o fluxo de financiamento para os combustÃveis fósseis. Mas os estÃmulos monetários fornecidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) durante a pandemia mantiveram a torneira aberta para investimentos nesses mercados.
As empresas de petróleo e gás arrecadaram montantes recordes de financiamento do setor privado desde que o Fed cortou a taxa básica de juros em 2020 e anunciou programas de compra de tÃtulos corporativos, o que interrompeu anos de declÃnio de investimentos em combustÃveis fósseis. Essas companhias foram beneficiárias desproporcionais dos programas do Fed destinados a impulsionar o setor produtivo dos EUA durante a pandemia.
"O setor de combustÃveis fósseis, que sabemos que estava em declÃnio secular, saiu da pandemia mais forte do que entrou", diz David Barmes, economista sênior da Positive Money, uma organização sem fins lucrativos de pesquisa e lobby que promove polÃticas ecologicamente corretas.
As empresas de petróleo e gás emitiram um recorde de US$ 198,8 bilhões em tÃtulos em 2020, US$ 37,2 bilhões a mais do que o recorde anterior estabelecido em 2013 e mais do que o dobro da média de 20 anos para emissão de dÃvida no setor, de acordo com dados da Dealogic. O aumento continua em 2021, com preços de energia mais altos.
"Eles expandiram a produção, se envolveram em aquisições e podemos dizer com segurança que isso levou a um aumento nas emissões de carbono", afirma Barmes.
Em 2020, o Fed criou programas de empréstimos com o respaldo do Departamento do Tesouro e de dinheiro dos contribuintes. As operações previam a compra de tÃtulos corporativos e a concessão de empréstimos diretos a pequenas e médias empresas.
Fonte: Estadão Conteúdo