22/11/2017 07h20
Estudo é importante para apontar problemas
O diagnóstico do Banco Mundial para as contas públicas brasileiras reforça, na visão de economistas, um problema que já está escancarado: o PaÃs gasta além do que poderia e de forma ineficiente. Embora concordem com o resultado geral do estudo, divergem sobre as medidas apontadas como solução.
"O trabalho sistematiza toda a literatura que mostra que o Brasil é um PaÃs emergente que gasta muito e gasta mal", diz Marcos Lisboa, presidente do Insper. "Para a qualidade do que é oferecido, gastamos em demasia. DeverÃamos ter serviços muito melhores", afirma. O Insper vai debater o documento com os representantes do Banco Mundial.
O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros, diz que esse tipo de estudo é importante por apontar onde estão os graves problemas e ser uma fonte de consulta. Mas o economista frisa que isso não pode ser considerado uma agenda para o governo.
"Esses órgãos, como o Banco Mundial, têm técnicos muito competentes que fazem uma análise olhando as contas. Só que eles não têm a menor responsabilidade com a possibilidade polÃtica de se fazer tudo isso", afirma. "O grande problema quando se está no governo é ter de lidar com a realidade polÃtica e social." Ele questiona, por exemplo, o aspecto jurÃdico de se mexer no salário do servidor público que tem direito adquirido.
Para a economista Ana Carla Abrão, sócia da Consultoria Oliver Wyman, o relatório fala "todas as verdades" que a população e o Congresso precisam ouvir. "Os números estão lá. Vamos continuar fechando os olhos para uma polÃtica de avestruz ou vamos enfrentar o problema?", disse. Segundo ela, o que chamou atenção no relatório é o desperdÃcio de recursos em Educação. "Quando se vê o número de forma tão objetiva é indefensável", afirma a ex-secretária de Fazenda de Goiás.
Já o economista da Universidade de BrasÃlia (UnB) José Luis Oreiro diz que as medidas sugeridas pelo Banco Mundial não são viáveis. "Esse pessoal aproveita a desgraça que foi o governo anterior para atender aos paÃses ricos", afirma. Para ele, proposições como a cobrança de mensalidade de universidades públicas, mesmo com subsÃdio para alunos carentes, não é um bom caminho para melhorar as contas das instituições. "Há um problema de receita, mas não é assim que se resolve."
Pontos de vista. "É uma análise feita olhando as contas. O grande problema quando se está no governo é ter de lidar com a realidade polÃtica e social", afirma Luiz Carlos M. de Barros, ex-presidente do BNDES.
"O trabalho mostra que o Brasil é um PaÃs emergente que gasta muito e gasta mal. (...) Com frequência acaba beneficiando os mais ricos", diz Marcos Lisboa, presidente do Insper.
"Não é viável nem cogitar essas medidas. Aproveitam a desgraça que foi o governo anterior para atender aos paÃses ricos", diz José Luis Oreiro, economista da UnB. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo