27/03/2017 23h00
Evidência sugere retomada gradual da atividade ao longo de 2017, diz Ilan
O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou na noite desta segunda-feira que a economia brasileira tem mostrado sinais mistos, mas compatÃveis com a estabilização no curto prazo. "A evidência sugere uma retomada gradual da atividade econômica ao longo de 2017, mas que pode ser mais (ou menos) demorada do que a antecipada", disse.
A avaliação faz parte de discurso feito em jantar oferecido pelo Museu Judaico de São Paulo. A reunião não foi aberta para imprensa, mas os principais pontos da fala do presidente do BC foram publicados no site da autoridade monetária.
Segundo Ilan, a polÃtica monetária deve contribuir para a retomada econômica, complementada por outros esforços do governo. "O crescimento econômico sustentável depende de nÃveis crescentes de produtividade. Por isso, é imprescindÃvel a continuidade de vários esforços, como os que estamos empreendendo no Brasil", declarou.
Na avaliação do presidente do BC, é essencial a aprovação de reformas macroeconômicas, em especial as fiscais, como a reforma da Previdência. "O mesmo se aplica às reformas microeconômicas relacionadas a ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhora do ambiente de negócios. Isso inclui a reforma tributária e trabalhista. É importante a realização de investimentos em infraestrutura, através das concessões e de outros mecanismos", afirmou.
Ilan também disse que o processo de flexibilização da polÃtica monetária e a adoção de medidas de caráter estrutural devem contribuir para a queda do custo de crédito. "A redução estrutural e sustentável do custo do crédito envolve um conjunto de reformas microeconômicas para o aumento da eficiência e da produtividade da economia", disse.
Em seu discurso, Ilan lembrou a chamada agenda BC+, que prevê várias ações para a redução sustentável do spread bancário, que, segundo ele, propiciam condições para tornar o crédito mais barato. Entre essas ações estão: incentivar a adimplência e a agregação de garantias, diminuir os custos administrativos, aumentar a concorrência no SFN (Sistema Financeiro Nacional) e diminuir subsÃdios cruzados. (André Ãtalo Rocha e Fernando Nakagawa - andre.italo@estadao.com; e fernando.nakagawa@estadao.com)
Fonte: Estadão Conteúdo