10/07/2018 10h40
Fluxo de veículos pesados aumentou 47% em junho, após greve de caminhoneiros
A volta à normalidade do fluxo de caminhões em junho após a greve dos caminhoneiros nos últimos dez dias de maio gerou uma distorção expressiva na estatÃstica dos movimentos de veÃculos pelas estradas do PaÃs. Comparada com a base de comparação prejudicada de maio, a circulação de veÃculos pesados em junho cresceu 47% descontados os efeitos sazonais, segundo o Ãndice ABCR, calculado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) e Tendências Consultoria Integrada. O fluxo total de veÃculos cresceu 13,6% na mesma base de comparação e o dos leves expandiu 3,4%.
"A pesquisa de junho deve ser lida com cuidado por se tratar do primeiro levantamento após os efeitos diretos da greve dos caminhoneiros, reportados no Ãndice ABCR de maio", explica Thiago Xavier, analista da Tendências Consultoria. De acordo com ele, a natureza da cautela se refere aos múltiplos fatores que afetam o desempenho do fluxo de veÃculos após o impacto da greve, como a Copa do Mundo, o aumento do preço da gasolina e redução do diesel, além da polÃtica de tabelamento do frete do transporte rodoviário.
Quanto ao Ãndice dos pesados, explica Xavier, é perceptÃvel que, tanto em nÃvel nacional como nos Estados nos quais o Ãndice traz detalhamento, a expansão de junho é maior que a contração observada no último mês, na série dessazonalizada, a ponto de trazer o fluxo de pesados a nÃveis semelhantes aos observados em 2013, ano no qual a situação macroeconômica era favorável.
Na visão da Tendências Consultoria, o movimento no mês - o maior da série histórica dessazonalizada iniciada em janeiro de 1999 - parece estar mais relacionado à intensificação dos transportes de carga para reduzir os danos dos dias paralisados em maio. Assim sendo, o expressivo desempenho de junho contou, além da desobstrução das vias, com o suprimento de parte da demanda represada no fim de maio que só pôde ser realizada em junho, com destaque para o setor alimentÃcio e veÃculos, por exemplo.
Em relação ao fluxo de veÃculos leves, dois resultados chamam a atenção. "Ao contrário do fluxo dos pesados, o Ãndice de leves registrou perdas em junho na comparação com o mesmo mês de 2017 pouco menores que as observadas em maio com os efeitos da greve. Já na série dessazonalizada, o crescimento foi modesto e inferior à forte queda do mês anterior", finaliza Thiago.
Na leitura interanual, a circulação total geral de veÃculos pelas estradas pedagiadas caiu 3,3% em junho em relação ao mesmo mês do ano passado. O movimento dos leves caiu 7,5% e o dos pesados cresceu 9,2%. No acumulado do ano até junho, o fluxo total caiu 1,4% em relação a igual perÃodo do ano passado, o de leves cai 1,9% e o movimento dos pesados mostra um ligeiro crescimento de 0,4% no primeiro semestre ante os primeiros seis meses de 2017.
As passagens totais de veÃculos pelas praças de pedágios nos últimos 12 meses até junho cresceram 1,1% sobre as passagens computadas ao longo dos 12 meses encerrados em junho do ano passado. O fluxo dos veÃculos leves cresceu 0,6% no acumulado de 12 meses até junho e o dos pesados, aumentou 2,4%.
Fonte: Estadão Conteúdo