30/09/2022 13h50
FMI diz que US$ 50 bi são necessário para erradicar insegurança alimentar
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que US$ 50 bilhões são necessários para erradicar a insegurança alimentar no mundo durante os próximos 12 meses, assegurando as necessidades alimentares de 345 milhões de pessoas globalmente. Em um estudo sobre o tema, o Fundo destaca os problemas causados pela alta dos preços dos alimentos, que vinham em nÃveis elevados, e tiveram uma especial disparada com a guerra da Ucrânia.
O FMI destaca 48 paÃses entre os mais afetados pela crise. O Brasil não consta entre eles, mas é lembrado como sétimo maior importador de Rússia e Ucrânia de fertilizantes, o que afeta cerca de 0,2% do PIB do paÃs, de acordo com a pesquisa. Para compensar os habitantes mais vulneráveis das 48 nações, o FMI estima um custo entre US$ 5,1 bilhões e US$ 7,2 bilhões em 2022.
Além disso, "é importante notar que os custos adicionais são arcados em um momento em que as receitas domésticas provavelmente estão sob pressão devido ao menor crescimento do PIB, que pesa especialmente sobre a receita tributária", lembra o FMI. Em paÃses com espaço fiscal já limitado, "isso exige uma nova prioridade cuidadosa dos gastos públicos", afirma o organismo. Para muitos paÃses, as pressões adicionais sobre os déficits em conta corrente e as reservas internacionais ocorrem em um momento em que suas posições externas já foram enfraquecidas pela pandemia, afirma.
O FMI sugere que mais da metade dos 48 paÃses identificados como altamente expostos à crise alimentar também têm amortecedores externos ou fiscais relativamente fracos, o que limita sua capacidade de resposta ao choque. As reservas para 15 paÃses cobrem menos de três meses de importações e as reservas para outros oito paÃses não excedem quatro meses, aponta. Neste contexto, "é importante notar que a mobilização adicional de receitas internas para ajudar a cobrir os gastos necessários para mitigar a crise alimentar é muitas vezes difÃcil no curto prazo", avalia.
Uma pesquisa recente do FMI com 174 paÃses mostra que muitos tomaram medidas para mitigar o impacto social dos preços mais altos de alimentos e energia. O estudo sugere uma clara correlação entre o uso de transferências monetárias e o nÃvel de desenvolvimento de um paÃs: elas são normalmente usadas por economias mais avançadas.
Para o FMI, idealmente, "os subsÃdios generalizados ao consumo alimentar devem ser eliminados ao longo do tempo" e devem ser substituÃdos por apoio de renda direcionado aos pobres. "Uma redução gradual poderia ser acompanhada de um compromisso de sua total eliminação no médio prazo. Durante a transição, o direcionamento dos subsÃdios poderia ser melhorado para reduzir as fugas para grupos de renda mais alta", avalia.
Fonte: Estadão Conteúdo