15/02/2021 18h13
FMI vê país com a pior dívida entre emergentes
O Brasil vai terminar 2020 com a pior situação fiscal entre os maiores paÃses emergentes. Com condições desafiadoras tanto em relação à s despesas quanto ao crescimento, o PaÃs gastou mais para combater a crise causada pela pandemia de covid-19, o que levou sua dÃvida para quase o dobro da média desses mercados.
A fatura, segundo especialistas, pode render ao Brasil um desempenho econômico menos ruim do que o de seus pares internacionais neste ano, mas isso se dará à custa de uma forte deterioração das contas públicas, que ameaça piorar a nota de classificação de risco do PaÃs.
A situação fiscal ruim do Brasil só é superada por paÃses menores, como Angola, LÃbia e Omã, de acordo com levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os emergentes comparáveis à economia brasileira, como México, Turquia e Ãfrica do Sul, têm situação mais tranquila.
"O Brasil foi pior entre emergentes, aumentou mais o gasto", afirma o economista para América Latina da consultoria inglesa Oxford Economics, Felipe Camargo. "O PaÃs optou por sair mais rápido da crise com impulso fiscal mais forte, gastando mais dinheiro", diz. "O Brasil está em risco de perder mais uma nota do rating."
Na América Latina, por exemplo, o economista da Oxford destaca que o Brasil teve o maior aumento de dÃvida, com alta de 20 pontos este ano, o que vai empurrar o endividamento para perto de 100% do Produto Interno Bruto (PIB). No México, foram 11 pontos a mais, o Peru teve 13 pontos, a Colômbia, 14 e o Chile, 11.
Pelo lado positivo, Camargo ressalta que a dÃvida do Brasil é 90% em moeda nacional, enquanto outros emergentes têm parte importante em moeda estrangeira, mais difÃcil de ser financiada. Mesmo assim, ele argumenta que o PaÃs não tem condição de sustentar uma dÃvida tão alta.
"O Brasil tem uma realidade completamente diferente de outros paÃses, como Chile e Peru, que tinham uma situação mais saneada, com um colchão fiscal para expandir os gastos. O Brasil não tinha. Se era frágil antes, mais frágil ficou", avalia o economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.
Segundo Ramos, a urgência na aprovação de reformas que direcionem o PaÃs para uma relação mais saudável entre receitas e despesas já era uma realidade antes da pandemia. Após o choque, tornou-se mais premente. Isso porque, além da situação frágil de suas contas públicas, o Brasil já crescia bem menos que outros paÃses emergentes. "O Brasil já estava no topo das preocupações e continua aÃ. Agora, ficou com um nÃvel de endividamento que ainda é bem maior do que qualquer outro paÃs emergente."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo