01/02/2018 13h30
França reduz resistência a acordo UE-Mercosul
Durante muito tempo considerado o paÃs que mais bloqueava o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, a França mudou de posição nas últimas horas em favor de um fechamento rápido da negociação, que se prolonga há mais de 20 anos. Desde terça-feira, delegados governamentais de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai estão em Bruxelas na expectativa de avançar em um entendimento com a Comissão Europeia, que agora parece mais próximo.
Nos bastidores polÃticos em Paris, a tendência é de que a França dê seu acordo para que Bruxelas proponha a ampliação da cota de importação de carne do Mercosul de 70 mil toneladas por ano para 100 mil toneladas, mesmo desagradando ao setor francês, que teme uma invasão de carne brasileira, uruguaia e argentina.
Na sexta-feira, em reunião bilateral com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, o lÃder francês, Emmanuel Macron, deu sinal de que seu governo estaria pronto a aceitar o acordo com o Mercosul. "Nós compartilhamos a mesma visão estratégica sobre esse acordo entre União Europeia e Mercosul, que pode ser bom para as duas partes. É pertinente tentar finalizá-lo rapidamente no contexto geopolÃtico atual", argumentou Macron, em alusão à rejeição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a acordos de livre-comércio e em favor de medidas protecionistas.
O presidente francês, que foi um dos artÃfices do acordo de livre-comércio com o Japão, em fase de definição, coloca-se no tabuleiro polÃtico como um dos incentivadores da globalização comercial no mundo.
Para o Macron, o importante é que as "linhas vermelhas" estabelecidas pelo governo francês não sejam ultrapassadas. Esses limites seriam o respeito ao modelo social e à s práticas ambientais europeias, de forma a evitar o que Paris chama de "dumping" social e ambiental - quando paÃses produzem com mão de obra barata, sem direitos sociais e com práticas sanitárias abaixo do exigido pela UE.
Trava
Na quarta-feira, o ministro da Agricultura, Stéphane Travert, afirmou em declaração a deputados na Assembleia Nacional que, as condições ainda não estão reunidas. O recado é claro: o governo espera que haja concessões dos paÃses latino-americanos. "A França espera avançar com o Mercosul, mas no contexto atual é essencial chegar a um resultado equilibrado, e no estado atual, as contas não fecham", afirmou.
Em Bruxelas, a equipe da comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, segue discutindo com os delegados do Mercosul em busca de um entendimento. "Ontem as coisas avançaram, e nós esperamos agora que o Mercosul volte e nos dê seu parecer sobre a forma como poderÃamos finalizar as negociações", disse o vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, em entrevista. "No final, só restam as questões mais difÃceis. Mas se a vontade polÃtica é forte, como é o caso neste momento, estou certo de que podemos chegar a esse objetivo."
Enquanto nos meios polÃticos de Paris e Bruxelas a ideia de chegar a um acordo avança, entre lÃderes do setor rural na França a resistência permanece elevada, em especial entre produtores de gado bovino e de frango. Para eles, os dois segmentos correriam o risco de se ver desestabilizados pela entrada de carne produzida com baixo custo e normas sociais e ambientais abaixo das praticadas pela Europa.
Sindicatos setoriais também manifestam preocupação pelo que consideram a iminência de um acordo com o Mercosul. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo