24/03/2020 16h10
Governo acerta com aéreas para que Estados tenham ao menos uma ligação mantida
O governo federal acertou com as empresas de aviação para que, mesmo diante da queda na demanda do setor em razão do novo coronavÃrus, todos os Estados tenham pelo menos uma ligação aérea funcionando. Agora, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), serão analisadas as malhas das aéreas e feitos eventuais ajustes para garantir que nenhuma região fique isolada. Nem todos os Estados terão ligação entre si, mas a intenção é que cada capital tenha um elo na malha em operação.
O assunto foi discutido na segunda-feira em reunião entre a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Ministério da Infraestrutura, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e empresas que operam no mercado doméstico - Latam, Azul e Gol.
Na manhã desta terça-feira, 24, a Gol já anunciou que, entre 28 de março e 3 de maio, manterá em operação somente a malha essencial de 50 voos diários, conectando todas as capitais dos estados brasileiros a partir do aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos (GRU). O tempo limite das conexões também será flexibilizado para garantir a ligação entre capitais em até 24 horas.
A companhia também informou que durante esse perÃodo estão suspensas as operações regionais e internacionais. A Gol afirmou que fará voos extras para atender eventuais demandas especÃficas para esses tipos de voo.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, afirmou em entrevista ao Broadcast (sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado) que os esforços da Anac de coordenação da malha aérea ajudarão a reduzir o forte ritmo de queima de caixa enfrentado pelas companhias.
"Estamos queimando dezenas de milhões de reais por dia. A coordenação por parte da Anac representa um recuo organizado da demanda e queda dessa queima", disse ele, que lembrou que algumas aeronaves estão decolando com até 12 passageiros frente a uma capacidade de 180 lugares.
"Cada empresa está propondo essa malha essencial. A Anac está aprovando e fazendo alguns ajustes. O princÃpio é garantir que todas as capitais e mais um volume de cidades essenciais tenham voos", disse. As aéreas já conseguiram permissão para reduzir a oferta de voos sem correr risco de perder os slots após uma autorização temporária concedida pela Anac.
Manutenção
Mesmo com a disseminação da novo coronavÃrus pelo Brasil e medidas de restrição sendo adotadas, o Ministério da Infraestrutura vem enfatizando a necessidade de o PaÃs não paralisar suas linhas de transporte. O governo já afirmou, por exemplo, que não fechará aeroportos.
Diante disso e da queda na demanda enfrentada pelas empresas, o esforço é para que nenhum Estados fique isolado da malha aérea.
O ministro da Infraestrutura, TarcÃsio de Freitas, lembrou que o Brasil conta com déficit na balança comercial no setor de saúde e que, por isso, é importante que os entes tenham linhas aéreas disponÃveis para receber materiais como remédios, vacinas, insumos e equipamentos hospitalares. "Por isso a importância de mantermos os aeroportos em funcionamento e linhas aéreas disponÃveis para os estados, mesmo com a demanda reduzida", disse através de nota divulgada pela Anac.
O diretor-presidente da Anac, Juliano Noman, ressaltou que em muitos paÃses as companhias aéreas responderam a covid-19 suspendendo completamente as suas operações, "o que prejudica fortemente a economia e até a saúde da população". "Trabalhamos intensamente junto à s empresas para possibilitar a manutenção de uma rede doméstica capaz de garantir um serviço aéreo mÃnimo no Brasil", afirmou.
Fonte: Estadão Conteúdo