21/11/2017 10h10
Governo ataca privilégios na Previdência
A propaganda lançada pelo governo para reunir maior apoio à reforma da Previdência dá as pistas de como está sendo conduzida a negociação do texto "enxuto". A campanha frisa o que permanece no texto, como a fixação de uma idade mÃnima para aposentadoria e a unificação das regras para servidores públicos, e indica o que já foi descartado, como as propostas de mudança na Previdência rural.
Na campanha publicitária, centrada no corte de privilégios e na manutenção de direitos, o governo silencia justamente sobre pontos que ainda provocam divisão entre as lideranças polÃticas. Entre eles, a limitação para o acúmulo de benefÃcios, abrindo espaço para que mais concessões possam ser feitas em troca dos votos.
A criação de um teto de dois salários mÃnimos (equivalente hoje a R$ 1.874,00) para o acúmulo de pensão e aposentadoria é um dos alvos da pressão dos parlamentares. O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), um dos principais articuladores do governo, defende a revisão desse limite para três salários mÃnimos (o que corresponde hoje a R$ 2.811,00).
Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), tenta convencer o governo a aceitar a mudança nesse limite, que já havia sido flexibilizado na primeira rodada de negociações, em abril, antes do estouro da crise polÃtica.
A proposta original do governo era vedar qualquer tipo de acúmulo, mas o apelo dos parlamentares fez com que a equipe econômica aceitasse a exceção para quem ganha menos. A expectativa é que o relator apresente ainda esta semana o texto da proposta mais enxuta para permitir a votação na primeira semana de dezembro.
Uma segunda concessão no limite para acúmulo de benefÃcios enfrenta forte resistência da área econômica. O governo entende que o teto de dois salários mÃnimos integra a cesta de medidas que combatem privilégios, pois beneficia cerca de 70% dos que acumulam benefÃcios. Mas lideranças polÃticas avaliam que o ganho em termos de votos compensa a nova flexibilização.
A campanha indica que a minirreforma vai incluir idade mÃnima, regra de transição como aprovada na comissão (com pedágio de 30% sobre o tempo que falta hoje para aposentadoria e elevação da idade mÃnima ao longo de 20 anos), a unificação das regras para servidores e a manutenção do tempo mÃnimo de contribuição em 15 anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo