17/01/2019 11h12
Governo Bolsonaro quer restringir acúmulo de pensão com aposentadoria
A proposta de reforma da Previdência da equipe econômica de Paulo Guedes quer impor um limite para o acúmulo de aposentadoria e pensão, segundo apurou o 'Estadão/Broadcast' com fontes que acompanham a elaboração do texto. Um terço dos pensionistas (ou 2,4 milhões de pessoas) acumula o benefÃcio com a aposentadoria. O custo é de R$ 64 bilhões por ano.
A ideia que está em estudo e deve ser apresentada ao presidente Jair Bolsonaro é criar um mecanismo redutor desses benefÃcios quanto maior for o valor da soma da aposentadoria e da pensão. A medida entraria em vigor com a promulgação da reforma da Previdência e não deve afetar os benefÃcios já em vigor para evitar uma judicialização do tema.
Hoje não há restrição ao acúmulo de benefÃcios - o que tem agravado o déficit nas contas da Previdência. A previsão é que o rombo do INSS chegue a R$ 218 bilhões em 2019.
Há casos já identificados de uma única pessoa que recebe seis benefÃcios ao mesmo tempo. Todos eles dentro da lei. O Brasil é o único paÃs do mundo que ainda permite acumular vários benefÃcios, inclusive pensões. Na proposta do ex-presidente Michel Temer, o acúmulo de aposentadoria e pensões estaria limitado a dois salários mÃnimos (R$ 1.996).
Como mostrou o Estadão/Broadcast na quarta, 16, a proposta também deve incluir o fim do pagamento integral de pensão por morte. A ideia é que as regras no Brasil se aproximem das de paÃses europeus, onde o valor do benefÃcio é dividido em cotas e leva em conta o número de dependentes deixados pelo segurado falecido. Uma possibilidade, de acordo com uma fonte, é manter o benefÃcio integral apenas para viúvas com três ou mais filhos menores.
As pensões por morte respondem por cerca de 25% dos gastos do INSS com benefÃcios. Em novembro de 2018, elas custaram R$ 14 bilhões num total de R$ 59,4 bilhões em benefÃcios.
O limite para acúmulo de pensão e aposentadoria é uma das medidas com potencial de gerar economia para os cofres públicos no curto prazo, segundo técnicos do governo. Isso traria um alÃvio mais imediato que as demais mudanças nas regras da Previdência, cujo impacto é de mais longo prazo.
O texto em estudo mescla mecanismos sugeridos por diferentes autores. Uma possibilidade é seguir a linha da proposta feita pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga com o economista Paulo Tafner, que foi formulada com a ajuda do atual secretário adjunto de Previdência, Leonardo Rolim.
Essa proposta prevê que o pagamento dos benefÃcios será integral até um salário mÃnimo. Se a soma dos benefÃcios ficar acima do mÃnimo e chegar a até três mÃnimos, o corte seria de 20%. Entre três e cinco salários mÃnimos, corte de 40%. No intervalo entre cinco e oito mÃnimos, somente a metade da soma seria paga. Para quem ganha mais de oito salários mÃnimos, a tesourada chegaria a 60%.
Dados de 2014, da Pesquisa Nacional por Amostra de DomicÃlios (Pnad) compilados pelo governo mostram que 720 mil ou 30% dos beneficiários que acumulavam pensão e aposentadoria recebiam um valor acima de dois salários mÃnimos, a um custo total de R$ 32,7 bilhões. Enquanto isso, os benefÃcios até dois salários mÃnimos custaram naquele ano R$ 31,36 bilhões.
"Está crescendo o número de pessoas que acumulam pensão e aposentadoria. E no caso de pessoas jovens, há exemplos de quem acumula pensão, aposentadoria e renda do trabalho. É um absurdo. Não são as pessoas, as regras que estão erradas. Então nós precisamos arrumar as regras", afirma o economista Paulo Tafner.
O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Junior, disse ontem que a estratégia do governo é enviar a proposta de reforma da Previdência logo no inÃcio do mandato do presidente Jair Bolsonaro para elevar as chances de aprovação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo