06/07/2018 11h10
Governo cancela R$9,6 bilhões em benefício irregular
O governo cancelou R$ 9,6 bilhões em auxÃlios-doença e aposentadorias por invalidez, de quase 220 mil pessoas, ao intensificar o pente-fino para encontrar benefÃcios irregulares. Até o fim do ano, o Ministério do Desenvolvimento Social avalia que a economia deve chegar a R$ 15,7 bilhões com o impulso das perÃcias. A redução desses gastos dá um alÃvio no Orçamento da União em 2018 e 2019.
Em quatro meses, de março até o fim de junho, meio milhão de beneficiários passaram pelo crivo dos peritos do INSS. O governo mudou as regras para o trabalho dos peritos e conseguiu dar novo gás ao programa de revisão dos benefÃcios, que começou a ser implementado em agosto de 2016. De março a junho, o número de perÃcias foi quase o dobro das 289,8 mil realizadas desde o inÃcio do programa.
Na primeira fase do pente-fino, que durou até fevereiro passado, foram cancelados 82% dos auxÃlios-doença e 17% das aposentadorias por invalidez que passaram pela perÃcia técnica do INSS. Nessa segunda fase, 74% dos auxÃlios-doença revisados (112.959) e 31% das aposentadorias por invalidez (106.763) foram cancelados. Esse é o último balanço que o governo pode divulgar antes das eleições.
PerÃcia
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo e ao Broadcast (serviço de notÃcias em tempo real do Grupo Estado), o ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, disse que o governo passou a exigir quatro perÃcias por dia para quem quisesse ter acesso ao bônus que é dado aos peritos que aderem voluntariamente à revisão, feita fora do expediente normal. Antes, os peritos podiam escolher quantas perÃcias podiam ser feitas. Tinha perito que só fazia uma revisão por semana.
"Isso fez com que nossa capacidade de perÃcia saltasse de 20 mil para 200 mil por mês", explicou o ministro. O governo paga bônus de R$ 60 por perÃcia extra. A revisão pretende alcançar até o fim do ano 553 mil auxÃlios-doença e 1 milhão de aposentadorias por invalidez. Até agora, 36,4 mil pessoas não compareceram à revisão e tiveram o benefÃcio cancelado.
Segundo Beltrame, esses são gastos que deixam de ser feitos, abrindo espaço para investimentos em outras áreas. Ele estima economia adicional de mais R$ 5,2 bilhões com a aposentadoria por invalidez a partir de 2019, subindo para quase R$ 21 bilhões com a revisão. Ao contrário do auxÃlio-doença, cujo benefÃcio é cortado assim que é constatada a irregularidade, quem tem a aposentadoria por invalidez cancelada recebe por mais 1 ano e meio depois do corte. Por isso, o efeito maior da redução da aposentadoria só deverá ocorrer em 2019.
A Justiça reativou 2,4% dos benefÃcios cancelados - número considerado baixo pelo ministro e que, segundo ele, demonstra o acerto das revisões.
No pente-fino, o governo encontrou 30 mil pessoas aposentadas por invalidez que estavam trabalhando com carteira assinada. Para o ministro, esse é um exemplo da situação de descontrole na concessão dos benefÃcios. Na sua avaliação, houve omissão do INSS no passado na revisão dos benefÃcios, que não estava sendo feita sistematicamente como previsto por lei.
Em 2000, a quantidade de auxÃlios-doença era de 500 mil. Em 2005, o volume de concessões chegou a 1,5 milhão. "As pessoas ficaram mais doentes ou o INSS ficou mais leniente na tarefa de governança dos benefÃcios?", criticou Beltrame. De 2016 até agora, o número de auxÃlios-doença caiu de 1,8 milhão para 1,3 milhão. A expectativa é que esse número caia para em torno de 1 milhão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo