10/05/2018 11h10
Governo envia ao Congresso projeto de recuperação judicial
Depois de ficar parado por seis meses na Casa Civil, o projeto da nova lei de recuperação judicial foi enviado na quarta-feira, 9, pelo presidente da República, Michel Temer, ao Congresso Nacional. A proposta é uma aposta do governo para aumentar a taxa de sucesso da recuperação judicial no PaÃs, uma vez que diversos processos se arrastam por anos sem solução.
O projeto havia sido enviado no final do ano passado pelo Ministério da Fazenda à Casa Civil, mas ficou travado na área técnica devido à pressão de setores descontentes com o texto formatado pela equipe econômica. Segundo a Fazenda, o projeto sofreu três alterações principais em relação à proposta original.
A deliberação sobre novos financiamentos de empresas em recuperação judicial terá de ser decidida em Assembleia Geral de Credores (AGC) e homologada pelo juiz; os créditos associados ao FGTS não entrarão nas prioridades da classificação dos créditos da falência, mas manterão a mesma relevância dos créditos trabalhistas.
A terceira mudança é em relação ao artigo que trata da competência da Fazenda Pública para requerimento de falência de empresas devedoras que solicitaram parcelamento de créditos tributários. Ele foi reescrito para deixar claro que as Fazendas Públicas poderão delegar o pedido de falência para órgãos como a Advocacia-Geral da União.
VÃdeo
O presidente Michel Temer divulgou vÃdeo nas redes sociais para anunciar o envio do projeto ao Congresso. "É um texto modernÃssimo, visto, examinado e reexaminado por grandes juristas nacionais e especialistas nesta área", disse o presidente no Twitter.
Foi o segundo vÃdeo do dia divulgado pelo presidente, que usou a rede social na quarta-feira para várias postagens. No primeiro vÃdeo, comparou seus dois anos de governo com as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, sem citá-los nominalmente, e confirmou a antecipação do cronograma de devolução de R$ 100 bilhões pelo BNDES ao Tesouro Nacional.
Na avaliação da área econômica, o projeto permitirá às empresas vender ativos e obter crédito, facilitando o aumento do emprego. O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, por vários momentos, no ano passado, chegou a anunciar o envio do projeto ao Congresso, o que só aconteceu com agora.
A proposta melhora as condições para que as empresas tenham condições de quitar dÃvidas. Entre as medidas, o projeto facilita a tomada de empréstimos novos e outras formas de levantamento de recursos.
Parcelamento
As empresas em recuperação judicial terão prazo de dez anos para parcelar débitos tributários com a Fazenda Nacional e de 84 meses com a Receita Federal. Pelo projeto, as dÃvidas com a Receita poderão ser liquidadas em até 30% com a utilização de créditos decorrentes de prejuÃzo fiscal e base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro LÃquido (CSLL) ou com outros créditos de tributos.
Fonte: Estadão Conteúdo